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O Círculo

Empowering Communities

Depois dos Mediadores para o sucesso escolar, a associação EPIS aposta agora no programa Abandono Zero. Em Sesimbra já há alunos em risco a beneficiar.

rondam a escola. Outros não querem sequer ouvir falar dela. São os jovens que já experimentaram tudo, do ensino regular aos cursos alternativos. Em Sesimbra representam 0,1 por cento da população em idade escolar. São meia centena em cinco mil estudantes e são os que a autarquia e a associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS) querem recuperar no prazo de dois anos.

O projecto-piloto chama-se Abandono Zero e é o mais recente projecto da EPIS, uma associação nascida em 2006 e que desde então já conseguiu recuperar um milhar de alunos para a escola. E Abandono Zero quer dizer isso mesmo – terminar com o abandono escolar até ao 9.º ano.

O primeiro passo foi perceber quantos alunos estavam em situação de abandono efectivo ou em risco elevado e fazer o seu histórico. “São alunos que não querem regressar à escola porque não gostam, porque não estão interessados. Estão entre os 15 e os 17 anos, com várias repetências”, resume Carla Deus, psicóloga da Câmara de Sesimbra e uma das duas mediadoras que vão trabalhar no projecto da EPIS. Se estivessem na escola, frequentariam os 2.º e 3.º ciclos.

A lista pode aumentar até ao final do 1.º período, revela Nuno Mantas, director da básica integrada da Boa Água, na Quinta do Conde. “São alunos que na pauta não sabemos se pomos um traço ou escrevemos “1” [numa escala de 1 a 5]”, acrescenta.

Regressar ao sistema

O segundo passo começou a ser dado há uma semana: localizar e conversar com os jovens. As psicólogas e os investigadores Daniel Rijo, da Universidade de Coimbra, e Paulo Nossa, da Universidade do Minho, que pertencem à equipa de metodologia da EPIS, foram para o terreno e encontraram seis. “Os mais fáceis”, os que rondam a escola, que chegam ao portão mas não o atravessam. Haverá outros a quem será difícil chegar, por consumirem drogas, por gravidezes precoces, por serem de famílias desestruturadas. E outros haverá também que não se sabe onde param.

O terceiro passo é fazê-los regressar ao sistema mas, para isso, é preciso trabalhar numa base semanal, com cada um. Trabalhar as competências pessoais e sociais. A maioria não sabe estar na sala de aula, controlar a impulsividade, regras básicas de convivência e de cidadania – quando os técnicos se aproximam, há quem pergunte se vêm do tribunal ou se são da polícia, conta Carla Deus.

E o que pode a escola fazer por eles? “O percurso normal não lhes diz nada. Há que existir vontade própria, motivação, mas também precisam de uma oferta diferenciada”, reconhece Nuno Mantas. A solução pode passar por cursos “feitos à medida”, sugere Daniel Rijo.

O próximo passo é estabelecer um compromisso com os jovens e famílias. Não será fácil, reconhecem todos. “Daqui a dois anos queremos que a maior parte esteja em formação”, avança Paulo Nossa, mas todos se recusam a fazer prognósticos.

 

Fonte: Público

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Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de “défice democrático” no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país.
A taxa de desemprego entre os jovens mais do que duplica o índice geral. Entre os que arranjam emprego, só cerca de um terço escapa à regra dos contratos a termo, recibos verdes e outras formas de precariedade. Um em cada dez licenciados abandona o país. É o retrato de uma geração sem saída. Em tempos de greve geral, não espanta que as centrais sindicais tenham colocado os jovens na primeira linha da luta.

Sendo Portugal um país com baixa qualificação académica da sua força de trabalho – e tendo em conta a importância da formação num mundo cada vez mais competitivo -, o número crescente de licenciados a saírem das universidades deveria ser uma boa notícia. Mas não é. No actual cenário de crise, os jovens são os mais prejudicados pela extinção de postos de trabalho e, entre eles, os que investiram na formação académica são exactamente os que se deparam com mais portas fechadas.

Elísio Estanque, professor de Economia e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, considera que este discurso das centrais sindicais é “ainda mais apropriado pelo facto de o instinto de sobrevivência e o individualismo criarem junto dos jovens alguma resistência às formas de luta colectiva”. Cabe ao sindicalismo encontrar “formas de os sensibilizar e mobilizar”.

“O individualismo assume-se em situações de desafogo, quando há oportunidades. Em situações de crise, isto muda”, diz Elísio Estanque, convicto de que “o individualismo já atingiu o seu ponto de exaustão”. “Acho natural que, por desespero ou consciencialização, os jovens comecem a organizar-se de outra forma.” Nesse sentido, “a recente invasão pacífica de um call-center pode ser um sinal dos tempos”.

Formas de luta mais imaginativas conseguem tornear as dificuldades colocadas por um sistema que os impede de “dar a cara de forma explícita”. Com contratos a prazo ou a recibos verdes, não é fácil afrontar a entidade patronal, para mais numa altura em que se vive um “défice democrático”, na opinião de Elísio Estanque: “Ser sindicalizado é ser criminoso, diabolizam-se os sindicatos de forma excessiva. E a repressão, o controlo e o despotismo acabam por privilegiar os medíocres em detrimento dos mais competentes. A fidelidade é mais importante do que a competência.”

Os melhores estão a sair?

Com poucos (e maus) empregos à sua espera, não espanta que muitos jovens optem por deixar o país. O fluxo da emigração atingiu nesta década valores só comparáveis aos do êxodo dos anos 60 do século passado e os números só baixaram nos últimos dois anos porque a crise também se faz sentir lá fora. Rui Pena Pires, sociólogo e professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, fala em 60.000 saídas por ano – eram à volta de 70.000 na década de 1960. Os números são diferentes, no entanto, porque antigamente “quase ninguém regressava no curto prazo e agora a mobilidade é maior”.

“Ainda não há estatísticas por idade, só daqui a uns seis meses. Mas a emigração concentra-se na população activa jovem… Por dedução, pensamos serem esses os que estão a sair”, explica o coordenador do projecto de investigação Atlas das Migrações. Quando chegarem, os números tratarão de confirmar o sentimento geral. “Todos nós conhecemos gente que saiu recentemente de Portugal. Os meus dois filhos, por exemplo, estão fora do país.”

Mais preparados, em muitos casos até com relacionamentos cultivados em programas de intercâmbio estudantil, os licenciados estão na primeira fila dos que olham para lá das fronteiras. O mercado de trabalho é global. O Banco Mundial calculou que um quinto dos licenciados portugueses vive fora do país e uma afinação dos números aponta para um dado ainda mais significativo: um em cada dez (11 por cento) licenciados tira o “canudo” por cá, antes de emigrar.

    “Não é um número terrível. No Reino Unido, são 10 por cento os recém-licenciados que emigram. Mas, lá, as entradas de pessoas com qualificações universitárias mais do que compensam este fluxo. Em Portugal, não”, analisa Rui Pena Pires. Ou seja, neste momento, Portugal é um exportador de cérebros. Alguns saem porque as suas carreiras (na investigação científica ou em multinacionais, por exemplo) apontam nessa direcção. A maior parte sai porque não tem perspectivas de futuro. “Temos de contar com as gerações que estão a chegar, se queremos que a economia seja competitiva, que as pessoas se sintam seguras, que a democracia floresça”, lembra Elísio Estanque. “Mas, pelos indícios que temos, os mais qualificados, os mais competentes, são os mais ousados e os que assumem o risco de ir para fora…”“É preciso alargar horizontes”
    Bruno Cea, 24 anos, licenciado em Negócios Internacionais (Universidade do Minho)

    Aconteceu a Bruno o que tantas vezes acontece a quem procura uma saída: apareceram-lhe duas. Há cinco meses, entre uma “boa proposta” de estágio numa empresa e a “oportunidade única” de estagiar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), escolheu a segunda. “As oportunidades aparecem; é preciso é estarmos prontos para as agarrar.”

    Terminada a licenciatura, trabalhou num restaurante e foi a Angola, onde percebeu que há “boas oportunidades” mas a prioridade é dada “a jovens quadros angolanos”. Regressou a Barcelos e começou a procurar trabalho. “O mercado pede coisas a um recém-licenciado, como “três anos de experiência”…”

    Agora está em Lisboa e foi “muito bem recebido” no MNE, onde está apostado em “desenvolver competências”. Bruno diz que “é preciso alargar horizontes”, sejam eles geográficos (“Não podemos confinar-nos ao mercado doméstico”) ou intelectuais (“Tudo o que aprendemos faz-nos crescer enquanto pessoas.”)

    A “precariedade, o desemprego, o custo de vida, as propinas elevadas e as práticas em algumas empresas” justificam o descontentamento das pessoas e elas têm o direito de se manifestar. Mas Bruno acha que a greve não é a melhor solução: “O que é importante para os jovens é que se aposte em dar-lhes competências.”

    “Gostava que a greve tivesse efeito”
    Miguel Paisana, 24 anos, 12.º ano

    Miguel está a trabalhar na hotelaria. Mas, apesar de este ser o seu “primeiro emprego a sério”, não é coisa para durar. “É temporário, uma maneira de ganhar algum dinheiro, até porque esta não é a minha área… O que gostava mesmo era de encontrar alguma coisa na área da saúde.”

    Tal como ele, a maior parte dos seus amigos não consegue fixar-se num emprego estável. “Andam em trabalhos temporários, call-centers, coisas assim. Estão sempre a mudar, anda toda a gente na mesma situação. Sem curso é muito difícil. Mesmo com curso…” Ele não foi para a universidade e até aproveitou para ir experimentando algumas actividades enquanto estudava. Coisas variadas, “mas só de um/dois dias, uma semana”, ao serviço de uma empresa de eventos.

    Ficaram as experiências, mas o que o move realmente é a vontade de encontrar uma oportunidade para poder trabalhar na área da saúde. E também uma pequena esperança de que as coisas mudem: “A minha opinião é que as greves não têm grande impacto. Mas gostava que esta tivesse efeito.”

    “Prefiro sair do que ficar frustrada”
    Filipa Paciência, 24 anos, licenciada em Biologia (Universidade de Évora)

    Filipa não é politicamente activa e até se classifica como “descrente”: “É do tipo “são todos iguais”… Voto sempre na oposição, para ver se mudo alguma coisa.” Mas exerce a sua cidadania sempre que pode. “Já andei a recolher assinaturas para petições, contra as touradas, contra a utilização de peles. Também tenho apoiado coisas pela Internet. Não se pode fazer muito, mas ajuda-se sempre.”

    Desta vez, ela assiste de fora. Em tempos de greve geral, está em Bilbau, onde procura vaga para um estágio de seis meses no âmbito do programa Leonardo da Vinci. “Se estivesse aí, aderia! São acções necessárias, nem que seja para chamar a atenção. É claro que podem dizer: “Falas muito e depois não ajudas o país!” Mas eu prefiro sair do que estar à espera, eternamente a lutar, e a ficar frustrada.”Não foi apenas a falta de oportunidades a empurrá-la para fora do país. A possibilidade de melhorar os conhecimentos na língua espanhola, o gosto por viajar e conhecer pessoas diferentes e também o facto de “pagarem mais” pesaram na escolha de Filipa. Fez a mala e partiu. A família já estava mentalizada. “Antes de Bilbau, tinha pensado em Buenos Aires, por isso até ficaram aliviados!”

    “Se quero ser independente, tenho de emigrar”
    Rodrigo Gaspar, 24 anos, licenciado em Arquitectura (Universidade Autónoma)

    Rodrigo vai, em breve, ter uma entrevista de trabalho. Na Suíça. “Numa low-cost não sai assim tão caro… E há soluções para passar a noite sem gastar quase nada.” É preciso fazer contas, mas esta pode ser uma oportunidade rara: apesar de estar a cumprir o estágio em Portugal, ele já se convenceu que o futuro deverá passar pela emigração.

    “Encaro isso como uma necessidade. Estou na fase em que quero ser independente, sair de casa dos pais. Cá é impossível. Emigrar torna isso possível, dá-nos experiência. É preciso ter estofo, mas acho que uma mente aberta ajuda.” Para ele, essencial mesmo é terminar o estágio, única forma de ser reconhecido pela Ordem dos Arquitectos. Depois, bom, as notícias não são as melhores: “O sector da construção está a lutar pela sobrevivência e os ateliers de arquitectura estão todos aflitos.”

    Não é só na arquitectura que as coisas estão más. “Consigo fazer uma lista enorme de gente que quer sair. Alguns foram mesmo para fora antes de acabarem o curso. Dos meus amigos, talvez só os advogados se estejam a safar…” E assim chegamos à greve geral: “Gostava de aderir, mas perdia um dia de trabalho… Se a greve for maciça, pode ser que mande uma mensagem aos políticos.”

    Fonte: Público

    Cem milhões de pessoas são todos os anos atiradas para a pobreza devido aos encargos com a saúde. O problema é mais comum em países vulneráveis, mas atinge também economias desenvolvidas, refere o relatório anual da Organização Mundial de Saúde (OMS).

    O caso mais flagrante de países desenvolvidos onde a “facturação dos cuidados de saúde” recai essencialmente sobre os utentes é o dos Estados Unidos. Um estudo da Universidade de Harvard referido pela OMS, e citado pela AFP, indica que as doenças e gastos com a saúde foram em 2007 responsáveis por 62 por cento das situações de ruína de famílias norte-americanas, contra 50 por cento em 2001.

    Portugal é referido pela OMS como um dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) em que parte da população enfrenta dificuldades financeiras para suportar os custos de saúde. “Ninguém deve ser forçado à ruína para se tratar”, indignou-se Margaret Chan, directora-geral da organização.

    O Relatório sobre a Saúde do Mundo 2010, apresentado em Berlim, no início de uma conferência ministerial sobre financiamento do sector, aponta três caminhos para melhorar os cuidados: reforço do financimento público, através de soluções inovadoras; obtenção de fundos de modo mais equitativo e melhoria da eficiência dos serviços de saúde.

    O documento é divulgado quando o mundo está longe da cobertura universal a que os 192 membros da organização das Nações Unidas para a saúde se comprometeram em 2005. Surge também numa altura em que a crise aumentou as dificuldades orçamentais e muitos países enfrentam uma subida dos encargos devido ao envelhecimento populacional.

    40 por cento de desperdício

    A OMS calcula que 20 a 40 por cento do dinheiro investido em saúde seja desperdiçado, o que a leva a recomendar medidas que permitam uma maior eficiência, através do uso de medicamentos genéricos sempre que possível e da melhoria de funcionamento das redes hospitalares. A organização refere que metade a dois terços do financiamento público é absorvido pelos hospitais e calcula em quase 300 mil milhões de dólares o desperdício provocado pela sua falta de eficiência.

    “Num momento em que o dinheiro escasseia, o conselho é o seguinte: antes de procurarem onde cortar gastos com assistência médica, há que procurar opções que melhorem a sua eficiência”, refere Margaret Chan.

    Se essas recomendações podem servir a alguns países, noutros o problema é mesmo o fraco financiamento. A OMS calcula em 44 dólares per capita o financiamento para garantir serviços mínimos de qualidade nos países com menores recursos e se muitos já conseguem afectar o equivalente a esse valor, 31 países gastam menos de 35 dólares anuais por pessoa e, nesses casos, a ajuda internacional é importante.

    Uma estimativa da organização indica que se os 49 países mais pobres do mundo destinassem 15 por cento dos orçamentos à saúde, isso representaria 15 mil milhões de dólares suplementares por ano, o que quase duplicaria os meios de que dispõem. A meta de 15 por cento foi um compromisso assumido pelos chefes de Estado africanos em 2000 e que a Libéria, Ruanda e Tanzânia já alcançaram.

    O aumento de verbas poderia ser conseguido com uma maior eficiência do sistema fiscal, como fez a Indonésia – que desse modo aumentou as receitas em dez por cento – ou por novas formas de obtenção de fundos, caso de taxas sobre vendas ou transacções financeiras. Esta última via foi seguida no Gana, que paga parcialmente o seu seguro nacional de saúde com 2,5 por cento do que arrecada em IVA. A Índia é referida como exemplo de um país que poderia obter 370 milhões de dólares anuais com o agravamento de 0,005 por cento da taxa sobre transacções em divisas.

    Outro dos caminhos apontados é o aumento de impostos sobre o tabaco.

    Para evitar que o pagamento dos cuidados de saúde recaia excessivamente sobre quem adoece e conseguir uma distribuição “mais equitativa” dos meios para assegurar a saúde, a OMS refere como opção o sistema de “contribuições obrigatórias”, através de seguros de saúde ou de impostos. A solução, de que países como o Japão são um expoente, ganhou na última década terreno em muitos estados, do Chile à Turquia ou ao Brasil.

     

     

    Fonte: Público

    A maioria esmagadora dos 200 mil que recorrem ao Banco Alimentar é de mulheres. Mas a revelação mais dramática é de que existem quase cinco mil na fila de espera. Metade dos que procuram comida ganha menos de 250 euros. O inquérito abrangeu quase 4700 pessoas.

    Sessenta e seis mil famílias recorrem à rede do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) o que corresponde a mais de 200 mil pessoas, segundo a análise da Universidade Católica divulgada hoje. A análise foi realizada entre Junho e Outubro e abrangeu mais de 550 organizações numa parceria com o Banco Alimentar e a Associação Entreajuda, o Centro de Estudos e Sondagens da Católica.

    Na amostra recolhida para o estudo divulgado hoje há 75 por cento de mulheres, o que “pode dever-se ao facto de serem elas que, dentro do agregado familiar, mais se dirigirem às instituições a pedir ajuda”.

    Nos últimos três anos, mais de 70 por cento das instituições de solidariedade social registaram mais pedidos de apoio para alimentação, situação atribuída sobretudo pelo aumento do desemprego.

    É a vulnerabilidade económica decorrente quer do aumento do desemprego, quer das baixas reformas, que, a par de rupturas familiares, estão na base do aumento da procura alimentar”, conclui a análise.

    O inquérito do Centro de Estudos e Sondagens da Católica foi respondido por 1500 organizações de solidariedade que integram a rede do Banco Alimentar, num universo de mais de 3200 instituições.

    Menos de 250 euros

    Cerca de metade dos portugueses que recorrem à instituições de solidariedade social têm menos de 250 euros por mês para viver, segundo um inquérito realizado pela Universidade Católica.

    Com base nas respostas, a análise estima que as instituições prestem apoio alimentar a 66 500 famílias, a que correspondem 239 470 pessoas. No que respeita ao apoio em medicamentos, pode concluir-se que actualmente são 6600 as famílias ajudadas, num total de quase 16 mil pessoas.

    Estima-se ainda que as instituições que pertencem à rede do BACF dão igualmente apoio monetário a 5700 famílias e 11 968 pessoas.

    Os valores acumulados representariam um apoio global a mais de 350 mil pessoas, mas o estudo nota que não é possível apurar um valor total de pessoas cobertas por estas medidas sociais, uma vez que existem famílias e utentes que beneficiam de mais de que uma forma de ajuda.

    Numa análise mais detalhada por faixa etária, o questionário mostra que são pelo menos 74 mil as crianças que recebem apoio alimentar da rede do BACF, número que o próprio estudo admite estar aquém da realidade.

    No que respeita ao apoio em medicamentos, pode concluir-se que actualmente são 6600 as famílias ajudadas, num total de quase 16 mil pessoas.

    Estima-se ainda que as instituições que pertencem à rede do BACF dão igualmente apoio monetário a 5700 famílias e 11 968 pessoas.

    27% passam pelo menos um dia sem ter o que comer

    Mais de um quinto das pessoas que procuram instituições de solidariedade sente falta de alimentos pelo menos uma vez por semana, segundo um inquérito realizado pela Universidade Católica, em parceria com o Banco Alimentar e a Associação Entreajuda.

    Do universo de 4691 utentes de mais de 500 instituições que responderam aos questionários, 27 por cento mencionaram estar um dia inteiro sem comer algumas vezes por semana ou pelo menos uma vez.

    “Vinte por cento diz não ter comida até ao final do mês, 32 por cento diz que tal acontece às vezes e 49 por cento diz ter sempre comida até ao fim do mês”, refere ainda o estudo hoje divulgado.

    Numa análise aos gastos dos utentes das instituições de solidariedade social, as despesas com alimentação e casa são as que mais pesam na fatia da verba mensal disponível, seguidos dos gastos com médicos e medicamentos.

    As despesas com vestuário e calçado ou outros empréstimos representam valores abaixo dos 10 por cento do total.

    Cerca de um terço dos inquiridos contraiu empréstimos, a esmagadora maioria para a compra de casa, mas só menos de metade dizem pagar sempre as mensalidades.

    Além da compra de casa (53 por cento), o carro (19 por cento) e os eletrodomésticos (16 por cento) são os bens que mais frequentemente são comprados a crédito. Apenas seis por cento diz ter recorrido a crédito para adquirir um televisor, verificando-se a mesma percentagem para consolas de jogos. Da análise resulta ainda que quatro em cada dez pessoas só compram os medicamentos quando têm dinheiro ou optam pelos mais baratos, não conseguindo adquirir sempre os remédios que são receitados pelo médico.

    Numa auto-avaliação à sua situação económica, 72 por cento dos inquiridos sentem-se pobres, com uma larga maioria a atribuir a culpa da sua situação à própria sociedade (situações de desemprego ou rendimentos baixos).

    Apenas 14 por cento dos utentes que se consideram pobres se culpabilizam pela sua situação desfavorecida.

     

     

    Fonte: Público

    As emissões de dióxido de carbono (CO2) de 2009 não baixaram tanto quanto o inicialmente previsto, apesar da crise financeira internacional, de acordo com um estudo de duas universidades britânicas.

    Num artigo publicado este domingo na revista Nature Geoscience, os autores das universidades de Exeter e de East Anglia concluem que, apesar da crise financeira que começou em 2008, no ano passado “as emissões globais de CO2, da queima de combustíveis fósseis, ficaram apenas 1,3 por cento abaixo dos valores de 2008. Isto é menos de metade da diminuição prevista há um ano”, ou seja, 2,8 por cento.

    Ainda assim, a crise financeira global teve influência nas emissões poluentes. Nas economias ocidentais levou mesmo a reduções, nomeadamente no Reino Unido, onde as emissões foram 8,6 por cento inferiores em 2009 do que em 2008. Números semelhantes foram registados nos Estados Unidos, Japão, França e Alemanha.

    No entanto, as economias emergentes registaram uma forte actividade económica e aumentos substanciais de emissões. Por exemplo, a China teve um aumento de oito por cento e a Índia de 6,2 por cento.

    O estudo das duas universidades prevê que, se o crescimento económico se mantiver, as emissões globais da queima de combustíveis fósseis vão aumentar mais de três por cento em 2010.

    Os autores do estudo concluíram ainda que as emissões de CO2, causadas pela desflorestação, diminuíram 25 por cento desde 2000, quando comparadas com os anos 90. “Pela primeira vez, a expansão das florestas nas latitudes temperadas compensou as emissões causadas pela desflorestação”, comentou Corinne Le Quéré, da Universidade de East Anglia e do British Antarctic Survey e autora do estudo. A situação deve-se ainda à redução nas taxas de desflorestação nos trópicos, nomeadamente na Amazónia brasileira e na Indonésia, lembram.

     

    Fonte: Público

    A Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), em parceria com a Associação Portuguesa de Sociologia (APS), está a organizar o II Encontro de Sociologia da Educação. Dedicado ao tema “Educação, Territórios e (Des)Igualdades”, o encontro terá lugar na FLUP, nos dias 27 e 28 de Janeiro.

    Inscrições abertas.

    Para mais informações,

    visite http://encontrosociologiaeduc.blogspot.com.

    Cerca de 60 municípios estão já associados à Semana Nacional da Reflorestação, uma iniciativa promovida por um movimento cívico que decorre entre os dias 23 e 28 e promete plantar pelo país milhares de árvores, cidadania e sustentabilidade.

    Segundo Hélio Lopes, da coordenação nacional do movimento sem fins lucrativos “Plantar Portugal”, o objectivo é distribuir mais de 100 mil árvores por vários tipos de espaços, como áreas florestais (alguma atingidas por incêndios), baldios, zonas ribeirinhas, parques, jardins ou escolas.

    De forma simbólica, a semana arranca no Dia da Floresta Mediterrânica com a plantação de uma árvore autóctone no centro geodésico de Portugal, no concelho de Vila do Rei, para se espalhar depois ao restante território continental e às ilhas.

    Um pouco por todo o país, equipas concelhias vão orientar os voluntários, que podem conhecer o projecto na Internet (www.plantarportugal.org).

    Hélio Lopes explicou que nesta primeira edição a obtenção de árvores está a ser feita a nível municipal, mas sublinhou que a organização está a fazer contactos para que no próximo ano seja possível oferecer as espécies às equipas concelhias, através de patrocínios, associações e outras parcerias.

    Isto porque, tal como anunciado pelo movimento, a ideia é instituir um evento que se repita e contribua, a longo prazo, para promover o equilíbrio dos ecossistemas e alterar comportamentos que comprometam o ambiente.

    Para já, a iniciativa está a correr “plenamente dentro das expectativas”. “Para mim o movimento já vingou, porque já é uma realidade”, disse Hélio Lopes.

    Entre os apoiantes da Semana Nacional da Reflorestação estão o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, a Autoridade Florestal Nacional, a Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas, a Associação Bandeira Azul da Europa e o movimento internacional “Let’s do it World”, que inspirou o já decorrido “Limpar Portugal” e iniciativas semelhantes noutros países.

    A iniciativa inclui, além das plantações e actividades pedagógicas, um concurso nacional de fotografia e vídeo.

    O “Plantar Portugal” arrancou oficialmente em Março, altura em que entregou o primeiro Prémio Árvore de Cristal ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

    Fonte: Público

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