Skip to content

O Círculo

Empowering Communities

Category Archives: Internacional

“São várias, estimulantes e pertinentes as questões de partida, às quais os/as autores/as procuram dar resposta através do cruzamento virtuoso entre a abordagem metodológica quantitativa e a qualitativa, a saber: que características assume o empreendedorismo imigrante feminino em Portugal, em que sectores de actividade se concretiza, quais os tipos de negócio, quais as fontes de financiamento, com que oportunidades e dificuldades práticas se depara? Como se traça o perfil (ou os perfis) das mulheres imigrantes que desenvolvem esse projecto laboral ? Como conciliam a iniciativa empreendedora com a vida profissional e pessoal? Quais as suas trajectórias de vida e como se tem desenhado o seu percurso migratório? Corresponde o empreendedorismo a um projecto de mobilidade socioeconómica, de capacitação e emancipação das mulheres que o protagonizam? Como podem ser concebidos e implementados programas e políticas de apoio eficazes ao empreendedorismo imigrante feminino?”

Mulheres Imigrantes Empreendedoras (formato .pdf)

Advertisements

Cem milhões de pessoas são todos os anos atiradas para a pobreza devido aos encargos com a saúde. O problema é mais comum em países vulneráveis, mas atinge também economias desenvolvidas, refere o relatório anual da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O caso mais flagrante de países desenvolvidos onde a “facturação dos cuidados de saúde” recai essencialmente sobre os utentes é o dos Estados Unidos. Um estudo da Universidade de Harvard referido pela OMS, e citado pela AFP, indica que as doenças e gastos com a saúde foram em 2007 responsáveis por 62 por cento das situações de ruína de famílias norte-americanas, contra 50 por cento em 2001.

Portugal é referido pela OMS como um dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) em que parte da população enfrenta dificuldades financeiras para suportar os custos de saúde. “Ninguém deve ser forçado à ruína para se tratar”, indignou-se Margaret Chan, directora-geral da organização.

O Relatório sobre a Saúde do Mundo 2010, apresentado em Berlim, no início de uma conferência ministerial sobre financiamento do sector, aponta três caminhos para melhorar os cuidados: reforço do financimento público, através de soluções inovadoras; obtenção de fundos de modo mais equitativo e melhoria da eficiência dos serviços de saúde.

O documento é divulgado quando o mundo está longe da cobertura universal a que os 192 membros da organização das Nações Unidas para a saúde se comprometeram em 2005. Surge também numa altura em que a crise aumentou as dificuldades orçamentais e muitos países enfrentam uma subida dos encargos devido ao envelhecimento populacional.

40 por cento de desperdício

A OMS calcula que 20 a 40 por cento do dinheiro investido em saúde seja desperdiçado, o que a leva a recomendar medidas que permitam uma maior eficiência, através do uso de medicamentos genéricos sempre que possível e da melhoria de funcionamento das redes hospitalares. A organização refere que metade a dois terços do financiamento público é absorvido pelos hospitais e calcula em quase 300 mil milhões de dólares o desperdício provocado pela sua falta de eficiência.

“Num momento em que o dinheiro escasseia, o conselho é o seguinte: antes de procurarem onde cortar gastos com assistência médica, há que procurar opções que melhorem a sua eficiência”, refere Margaret Chan.

Se essas recomendações podem servir a alguns países, noutros o problema é mesmo o fraco financiamento. A OMS calcula em 44 dólares per capita o financiamento para garantir serviços mínimos de qualidade nos países com menores recursos e se muitos já conseguem afectar o equivalente a esse valor, 31 países gastam menos de 35 dólares anuais por pessoa e, nesses casos, a ajuda internacional é importante.

Uma estimativa da organização indica que se os 49 países mais pobres do mundo destinassem 15 por cento dos orçamentos à saúde, isso representaria 15 mil milhões de dólares suplementares por ano, o que quase duplicaria os meios de que dispõem. A meta de 15 por cento foi um compromisso assumido pelos chefes de Estado africanos em 2000 e que a Libéria, Ruanda e Tanzânia já alcançaram.

O aumento de verbas poderia ser conseguido com uma maior eficiência do sistema fiscal, como fez a Indonésia – que desse modo aumentou as receitas em dez por cento – ou por novas formas de obtenção de fundos, caso de taxas sobre vendas ou transacções financeiras. Esta última via foi seguida no Gana, que paga parcialmente o seu seguro nacional de saúde com 2,5 por cento do que arrecada em IVA. A Índia é referida como exemplo de um país que poderia obter 370 milhões de dólares anuais com o agravamento de 0,005 por cento da taxa sobre transacções em divisas.

Outro dos caminhos apontados é o aumento de impostos sobre o tabaco.

Para evitar que o pagamento dos cuidados de saúde recaia excessivamente sobre quem adoece e conseguir uma distribuição “mais equitativa” dos meios para assegurar a saúde, a OMS refere como opção o sistema de “contribuições obrigatórias”, através de seguros de saúde ou de impostos. A solução, de que países como o Japão são um expoente, ganhou na última década terreno em muitos estados, do Chile à Turquia ou ao Brasil.

 

 

Fonte: Público

coloquioperversao

Em tempos recentes, perversão parece ter-se tornado um significante livre. Por um lado, reactualiza-se nesse conceito uma leitura teológica, identificando o denominador comum do pecado ou a condição da existência num mundo marcado pela morte de Deus. Por outro, as artes não param de reivindicar um carácter perverso, por destruição ou irónica reciclagem de tradições; porque a tradição da ruptura é hoje também tradição da perversão, ou perversão de perversões. Ao mesmo tempo, a psicanálise de raiz freudiana sistematiza os comportamentos perversos do indivíduo, como patologia, estagnação no desenvolvimento libidinal, ou legítima fantasia.

De que falamos, pois, quando falamos de perversão?

Parece ser perverso o que começa nas margens de qualquer sistema, per-vertendo-o, in-vertendo-o. Nesta perspectiva, o conhecimento humano e a linguagem que o configura começam sempre por ser perversos. Todas as revoluções científicas, políticas, artísticas são necessariamente perversas, como é perverso o espaço comum que suscitam: esse lugar onde convivem Newton e Einstein, Marx, Lenine e Mussolini, Júlio Dantas e Almada Negreiros. Resta saber que perversão pode existir fora do modelo da revolução. E, se cada novidade começa por ser perversa face a um sistema, resta ainda saber como se perde e desfaz a perversão do conhecimento de cada vez que um novo conteúdo é canonizado pela doxa.

Eis-nos, então, perante o paradoxo. Se o século XX defendeu que todos temos direito à perversão, como entender a contradictio in terminis que é a perversão legitimada? Não haverá uma perda insanável nesse livre acesso contemporâneo ao perverso, que o torna mercadoria kitsch? Ou representará o kitsch justamente o triunfo mais perverso da perversão no campo estético? E finalmente: se hoje a única perversão possível for recu¬sar a perversão, se a dialéctica do legítimo e do ilegítimo perder o equilíbrio que sustém o seu movimento, resta inventar novas possibilidades criativas do perverso — ou simplesmente abandonar esse caminho por demais trilhado?

Estas são algumas das questões de partida do Colóquio Internacional Artes da Perversão, que compreenderá uma reflexão crítica alargada a diversos ramos do saber, dos estudos literários aos estudos de cinema, do teatro às artes plásticas, sem esquecer a psicanálise e a teologia

PROGRAMA
COLÓQUIO INTERNACIONAL E INTERDISCIPLINAR ARTES DA PERVERSÃO

Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
23-24 de Abril de 2009

► 23 de Abril Anfiteatro Nobre

10:00 Recepção dos conferencistas

10:30 Abertura

11:00
Moderador: Rosa Maria Martelo

Phillip Rothwell (Rutgers Univ.)
Bodies Without Places: Perversion in Contemporary Capitalism through Lacan, Badiou and Žižek

Luís Mourão (IP Viana do Castelo)
A voz material da ética e a voz material da perversão: começar e acabar em alguns mundos de Gonçalo M. Tavares

Juan José Adriasola (Rutgers Univ.)
Perversas narrativas: mercado político y “nueva narrativa” en el Chile de los 90

13:00 Almoço

14:30
Moderador: Luís Maffei

Alexandra Moreira da Silva (Univ. Porto)Formas perversas, vozes ob(s)cenas no teatro contemporâneo: Sade, Sacher-Masoch, Crébillon, Laclos

José Alberto Ferreira (Univ. Évora)
A perversão do método, ou o método da perversão

Paulo Eduardo Carvalho (Univ. Porto)
Sófocles e Molière (per)vertidos por Martin Crimp

16:30 Pausa para café

16:45
Moderador: Laura Ferreira dos Santos

David Barros (Univ. Nova Lisboa)«Pardon me, but my teeth are in your neck»: Os caminhos da perversão no cinema de Roman Polanski

Joana Matos Frias (Univ. Porto)
A Beleza Convulsiva das Imagens: Surrealismo e Perversões Ópticas

Margarida Gil dos Reis (Univ. Lisboa)
Corpos perigosos: perversão e jogo

21:30 Cinema Medeia – Shopping Cidade do Porto
Projecção do filme: Ma’s Sin de Saguenail
Debate

► 24 de Abril Anfiteatro Nobre

9:00
Moderador: Margarida Gil dos Reis

Jorge Bastos da Silva (Univ. Porto)
Assassinos Loquazes – ou: Da Arte de Matar com Arte

José Domingues de Almeida (Univ. Porto)
Perversion et naïveté dans la prose narrative d’Eugène Savitzkaya: approche du fatum humain

Pedro Eiras (Univ. Porto)
Por uma ética da perversão

10:45 Pausa para café

11:00
Moderador: Gonçalo Vilas-Boas

José Rui Teixeira (Univ. Porto / Univ. Católica Porto)
O corpo e a morte O Decadentismo finissecular da poética de Guilherme de Faria. Uma leitura teológica circunstancial

Laura Ferreira dos Santos (Univ. Minho)
Morte assistida: uma reivindicação perversa?

José Tolentino Mendonça (Univ. Católica Lisboa)
A perversão é necessária? – O efeito incontrolado de uma citação bíblica numa passagem de Dostoiévski

13:00 Almoço

14:30
Moderador: Phillip Rothwell

Américo António Lindeza Diogo (Univ. Minho)
Perversões de Autoridade em Vasco Graça Moura e Adília Lopes

Luís Maffei (Univ. Federal Fluminense)
Se tão perverso preço cabe em verso

Rosa Maria Martelo (Univ. Porto)
O “especialista em sublimação” e os usos da linguagem (acerca da poesia de António Franco Alexandre)

18:00 Trintaeum
Mesa-redonda de criadores
Moderador: Luís Mourão
Ana Luísa Amaral
José Emílio-Nelson
valter hugo mãe

“Melhor Conhecimento e Compreensão da Juventude” é um dos tópicos fundamentais no trabalho desenvolvido pelo Programa de Parceria na área da Juventude entre o Conselho da Europa e a Comissão Europeia.

Até à data, o European Knowledge Center for Youth Policy – EKCYP tem vindo a reunir

  1. Informação nas áreas prioritárias do Livro Branco da Política Europeia de Juventude (vê, no EKCYP, os questionários sobre Participação, Informação, Melhor Conhecimento e Actividades Voluntárias) e
  2. Informação geral sobre a política de Juventude em vários dos países da UE (vê as chamadas Fichas de País).

Baseada na Comunicação da Comissão sobre a Promoveção de uma Participação Plena dos Jovens na Educação, Emprego e Sociedade (Bruxelas, 04.09.2007, COM(2007) 498 final), o EKCYP tem este novo papel de reunir dados sobre os 3 tópicos transversais:

  • Emprego
  • Condições de vida e Estilos de vida
  • Inclusão social dos jovens

É neste contexto que surgem as candidaturas para peritos.

Relativamente aos três tópicos transversais, pretende-se que eles

    • desenvolvam uma estrutura de informação comum
    • recolham informação disponível nas fontes existentes sobre a situação da Juventude na Europa

Os peritos serão contratado pelo Programa de Parceria e podem candidatar-se

  • quer como pessoas singulares que se proponham trabalhar tópicos únicosIndividual Offer

ou

  • enquanto grupo, um consórcio, um Instituto, uma organização , ou qualquer outra entidade que trabalhe os 3 tópicosJoint Offer

O prazo de candidatura é o dia 17 de Março de 2008 até ao meio dia

As candidaturas devem ser enviadas, em versão electrónica, para o Secretariado do Programa de Parceria.

Para todos os dados sobre esta iniciativa clica aqui.
Para saberes mais sobre os tópicos transversais clica aqui.
Para acesso a documentos, clica aqui.

Acede, depois, aqui à Ficha de Inscrição!

Para mais informação e questões
contacta
Marta Medlinska
e-mail marta.medlinska@coe.int ou
tel. +33 3 90 21 4916.

Está aberto o período de candidaturas para o Seminário para Estabelecimento de Contactos “Encontro para a Participação”, que vai ter lugar em Bruxelas de 11 a 16 de Março próximo.

Este seminário visa:

  • uma troca de experiências entre participantes;
  • encetar parcerias e construir as bases de futuros projectos de Democracia Juvenil no âmbito do Programa Juventude em Acção*.

Objectivos gerais

  • Partilhar experiências e estabelecer contactos;
  • Debater as temáticas da participação, democracia e parcerias;
  • Informar sobre o Programa Juventude em Acção;
  • Facilitar o processo de estabelecimento de parcerias;
  • Desenvolver projectos de Democracia Juvenil

Perfil de participantes

  • líderes juvenis e/ou pessoas envolvidas (a título profissional ou voluntário) em entidades que trabalham na área da juventude;
  • motivados para o desenvolvimento de projectos de Democracia Juvenil no âmbito do Programa Juventude em Acção.

Condições de participação

  • Os custos com a viagem internacional são suportados pela Agência Nacional portuguesa;
  • Os custos de alojamento e alimentação são suportados pela entidade organizadora;
  • O seguro de saúde e as deslocações em território nacional serão da responsabilidade dos participantes seleccionados.

A Agência Nacional suporta os custos de viagens aéreas entre Madeira / Açores e o continente caso os participantes seleccionados residam nas regiões autónomas.

Inscrição

Os interessados deverão preencher o formulário, obrigatoriamente em inglês, e enviá-lo, para a Agência Nacional em alternativa, via:

  • fax +351 21 317 92 10 (A/c: Liliana Cruz);
  • correio electrónico (para Liliana Cruz: liliana.cruz@ipj.pt );

Prazo de candidatura: 20 de Fevereiro de 2008 (data de entrada na Agência Nacional)

Informações complementares:

  • A Agência Nacional prevê seleccionar dois participantes para esta actividade;
  • Os resultados do curso serão divulgados a todos os candidatos (por e-mail ou correio postal);

O que é o Programa Juventude em Acção?

Programa Comunitário que serve de instrumento para a educação não-formal e informal dos jovens, com os seguintes objectivos:
– promover a cidadania participativa, em gera, e a cidadania europeia, em particular;
– desenvolver o espírito de solidariedade e tolerância entre os jovens, fomentando a coesão europeia;
– contribuir para o desenvolvimento da qualidade dos sistemas de apoio a actividades de carácter juvenil;
– promover a cooperação europeia no sector da juventude.

O que são projectos de Democracia Juvenil?

Projecto desenvolvido por uma parceria (mínimo 2 países europeus e 2 parceiros por país: associações sem fins lucrativos, organismos públicos locais, regionais ou nacionais, grupos informais, etc.) que promova a participação activa dos jovens (mínimo 16 participantes dos 13 aos 30 anos).

Para mais informações, sobre:
– o Programa JUVENTUDE EM ACÇÃO http://ec.europa.eu/youth/yia/index_en.html

Em caso de dúvida, contacta:
Liliana Cruz
Telf: 21 317 92 00

Pela primeira vez em Portugal,  ‘turistas  voluntários’ da Organização Não Governamental (ONG) norte-americana Global Volunteers vão passar este ano férias em Beja para ensinar crianças e adultos a falar inglês, disse hoje fonte do município.

Através do projecto Férias de Voluntário, criado em 1994 pela Global Volunteers, falantes nativos de inglês tornam-se ‘ turistas voluntários’ e vão de férias para um determinado destino escolhido pela ONG.

Nos locais de férias, durante a estadia, que é paga pelos próprios, os turistas, entre períodos de descanso e de lazer, tornam-se professores voluntários para ensinar gratuitamente crianças e adultos a falar a língua de Shakespeare.
Entre Fevereiro e Outubro, quatro grupos de ‘turistas voluntários’ da Global Volunteers vão passar, cada um, 15 dias de férias em Beja, precisou o vereador do município, José Monge.

Durante as férias, de segunda a sexta-feira, ao longo de quatro horas diárias, «os turistas vão ensinar alunos de várias escolas básicas, duas secundárias, da Casa Pia e da Universidade Sénior de Beja a falar inglês», acrescentou o autarca.

Segundo informações disponíveis no site da Global Volunteers, normalmente, o ensino é feito através da prática informal da língua inglesa, ou seja, ´conversas simples’ entre os voluntários  os professores e os alunos das escolas.

A Global Volunteers justifica a escolha de Beja explicando «que em Portugal os habitantes fora das zonas turísticas dispõem de poucas oportunidades para falar e aprender inglês com nativos da língua».

A Câmara de Beja, além de mediadora entre a ONG e as escolas e instituições da cidade interessadas em acolher o projecto, explicou José Monge, vai preparar um roteiro para os turistas voluntários, com «passagem garantida pelos principais atractivos» da região de Beja.

O primeiro grupo, constituído por 18 turistas norte-americanos, vai estar de férias em Beja, entre 23 de Fevereiro e 08 de Março, mas ainda não está definido em que escolas vão ensinar voluntariamente a falar inglês.

Segue-se o grupo de 21 turistas, entre 19 de Abril e 03 de Maio, sendo que os terceiro e quarto grupos vão estar de férias, respectivamente, entre 07 e 21 de Junho e entre 27 de Setembro e 11 de Outubro.

A Global Volunteers continua a recrutar turistas voluntários para passar férias este ano em Beja e já tem marcados novos períodos para 2009, também entre Fevereiro e Outubro.

Criada em 1984, a Global Volunteers, uma das primeiras ONG a receber o estatuto de Consultores Especiais das Nações Unidas para o Voluntariado, organiza projectos sociais em regime de trabalho voluntário, para promover o desenvolvimento microeconómico e humano.

A ONG mobiliza anualmente mais de 2.500 voluntários, divididos em 150 equipas, que ajudam mais de 100 comunidades locais em mais de 20 países.

Lusa/SOL

O desempenho dos alunos portugueses de 15 anos é mais baixo do que a média dos seus colegas de 57 países a Ciências, Matemática e Leitura, de acordo com um estudo da OCDE publicado hoje.

O PISA 2006 (Programme for International Student Assessment) avaliou no ano passado os conhecimentos e competências dos estudantes que estão a terminar ou já concluíram o ensino obrigatório, comparando os resultados dos vários países envolvidos (30 da Organização e 27 parceiros).

A nível dos conhecimentos científicos, os mais testados nesta terceira edição do PISA, os alunos portugueses alcançaram uma pontuação de 474, o que corresponde ao 37º lugar entre os 57 países que participaram no estudo. Os países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) registaram uma média de 500 pontos, enquanto a média global foi de 491.

Mais de metade dos estudantes portugueses (53,3 %) só demonstraram conhecimentos básicos neste domínio, não indo além do nível dois em seis níveis de complexidade.

Por oposição, só 0,1% conseguiu atingir o nível mais elevado, o pior resultado entre os países da OCDE. Apesar de negativo, o desempenho nacional em Ciências melhorou face a 2003 e 2000, quando os alunos alcançaram uma pontuação de 468 e 459, respectivamente.

Já no que diz respeito aos conhecimentos matemáticos, o desempenho dos estudantes portugueses de 15 anos ficou 32 pontos abaixo da média da OCDE (466 contra 498) e 18 abaixo da média total, fixada nos 484. Também nesta área, mais de metade dos estudantes (55,8%) ficou-se pelos níveis um e dois e só 0,8% demonstrou conhecimentos correspondentes ao patamar mais alto. O desempenho dos portugueses não sofreu alterações face a 2003 no que diz respeito à Matemática, o mesmo acontecendo ao nível da Leitura, em que a variação registada não é estatisticamente significativa (menos cinco pontos do que em 2003, mas mais dois do que em 2000).

A nível global, os alunos obtiveram 472 pontos nas competências associadas à Leitura, menos 12 do que a média global e menos 20 do que a média da OCDE. Para o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, “os resultados estão aquém do que seria desejável”, evidenciando uma “disfunção” do sistema educativo português.

Isto porque se tivermos apenas em conta o desempenho dos alunos portugueses do 10º ano, o normal para frequentar aos 15 anos, o resultado nacional estaria acima da média da OCDE nas três competências avaliadas.

O problema, explicou, é que o país apresenta taxas de retenção muito acima da média, pelo que, aos 15 anos, há alunos ainda a frequentar o terceiro ciclo do ensino básico (7º, 8º e 9º anos) e que, por isso, não demonstram um nível de conhecimentos que seria expectável para a sua idade.

“Portugal consegue ter um resultado acima da média entre os alunos que têm um percurso escolar normal [que nunca chumbaram]. Nos outros, a situação é dramática”, sublinhou Jorge Pedreira, adiantando que o estudo mostra que a retenção não está a funcionar em Portugal como um mecanismo de recuperação dos estudantes.

“O nosso sistema tem uma disfunção. Apesar de todas as orientações que existem, nomeadamente para a aplicação de planos de recuperação, não há ainda a percepção [por parte dos professores] de que a retenção é um fenómeno extremo e apenas de último recurso”, frisou, explicando que em países como a Finlândia, que lidera a tabela, os chumbos são meramente residuais, uma vez que os potenciais repetentes são objecto de um plano de acompanhamento especial e seguidos por um tutor.

De acordo com o estudo, a percentagem de repetentes no terceiro ciclo atinge os 12,8% em Portugal e sobe para 16,9% no secundário, enquanto a média entre os países da Organização não vai além dos 2,7% e 3,9%, respectivamente.

Reiterando que a retenção não está a ser eficaz, o secretário de Estado lamentou o “discurso generalizado” de que os chumbos são sinónimo de um sistema educativo rigoroso, o que disse ser “totalmente falso”. Apesar disso, Jorge Pedreira assegurou que o Governo não planeia acabar administrativamente com os chumbos, uma vez que essa medida não seria compreendida política e socialmente, mas reforçar a aposta nos planos de recuperação.

Realizados por 400 mil alunos de 57 países, os testes do PISA 2006 foram elaborados em Portugal por uma amostra de cinco mil estudantes, de 175 escolas de todo o país.

Fonte: JN

%d bloggers like this: