Skip to content

O Círculo

Empowering Communities

Depois dos Mediadores para o sucesso escolar, a associação EPIS aposta agora no programa Abandono Zero. Em Sesimbra já há alunos em risco a beneficiar.

rondam a escola. Outros não querem sequer ouvir falar dela. São os jovens que já experimentaram tudo, do ensino regular aos cursos alternativos. Em Sesimbra representam 0,1 por cento da população em idade escolar. São meia centena em cinco mil estudantes e são os que a autarquia e a associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS) querem recuperar no prazo de dois anos.

O projecto-piloto chama-se Abandono Zero e é o mais recente projecto da EPIS, uma associação nascida em 2006 e que desde então já conseguiu recuperar um milhar de alunos para a escola. E Abandono Zero quer dizer isso mesmo – terminar com o abandono escolar até ao 9.º ano.

O primeiro passo foi perceber quantos alunos estavam em situação de abandono efectivo ou em risco elevado e fazer o seu histórico. “São alunos que não querem regressar à escola porque não gostam, porque não estão interessados. Estão entre os 15 e os 17 anos, com várias repetências”, resume Carla Deus, psicóloga da Câmara de Sesimbra e uma das duas mediadoras que vão trabalhar no projecto da EPIS. Se estivessem na escola, frequentariam os 2.º e 3.º ciclos.

A lista pode aumentar até ao final do 1.º período, revela Nuno Mantas, director da básica integrada da Boa Água, na Quinta do Conde. “São alunos que na pauta não sabemos se pomos um traço ou escrevemos “1” [numa escala de 1 a 5]”, acrescenta.

Regressar ao sistema

O segundo passo começou a ser dado há uma semana: localizar e conversar com os jovens. As psicólogas e os investigadores Daniel Rijo, da Universidade de Coimbra, e Paulo Nossa, da Universidade do Minho, que pertencem à equipa de metodologia da EPIS, foram para o terreno e encontraram seis. “Os mais fáceis”, os que rondam a escola, que chegam ao portão mas não o atravessam. Haverá outros a quem será difícil chegar, por consumirem drogas, por gravidezes precoces, por serem de famílias desestruturadas. E outros haverá também que não se sabe onde param.

O terceiro passo é fazê-los regressar ao sistema mas, para isso, é preciso trabalhar numa base semanal, com cada um. Trabalhar as competências pessoais e sociais. A maioria não sabe estar na sala de aula, controlar a impulsividade, regras básicas de convivência e de cidadania – quando os técnicos se aproximam, há quem pergunte se vêm do tribunal ou se são da polícia, conta Carla Deus.

E o que pode a escola fazer por eles? “O percurso normal não lhes diz nada. Há que existir vontade própria, motivação, mas também precisam de uma oferta diferenciada”, reconhece Nuno Mantas. A solução pode passar por cursos “feitos à medida”, sugere Daniel Rijo.

O próximo passo é estabelecer um compromisso com os jovens e famílias. Não será fácil, reconhecem todos. “Daqui a dois anos queremos que a maior parte esteja em formação”, avança Paulo Nossa, mas todos se recusam a fazer prognósticos.

 

Fonte: Público

Advertisements

%d bloggers like this: