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Uma equipa dirigida pelo investigador português Ivo Martins, do Instituto Biotecnológico da Flandres, descobriu que certas gorduras podem activar no cérebro as placas de proteínas características de Alzheimer e que o metabolismo lipídico do paciente pode contribuir para a progressão da doença. O resultado dos trabalhos foi publicado na revista “The EMBO Journal”.

“Antes do nosso trabalho, as placas eram vistas como relativamente inócuas, o último estágio da doença, mas nós mostrámos que na realidade são ‘bombas-relógio’ prontas a serem activadas ao interagirem com lípidos [gorduras]”, explicou Ivo Martins. Até agora considerava-se que as fibrilas e as placas que estas causavam eram estáveis e que uma vez formadas não podiam transformar-se noutra estrutura.

Os cientistas demonstraram agora que certos lípidos que aparecem no cérebro podem desestabilizar as fibrilas e, por conseguinte, as placas típicas da Doença de Alzheimer.

A investigação mostra ainda que são os componentes solúveis e não as placas insolúveis que provocam a morte dos neurónios.

Os resultados identificam estes componentes solúveis protofibrilares como novos alvos para uma intervenção na doença e alertam também para o facto de que as placas insolúveis são reservatórios de toxicidade que podem ser controlados.

Segundo o estudo, distúrbios no metabolismo lipídico do doente têm o potencial para influenciar o desenvolvimento da doença e pode ser a razão por que muitas vezes a extensão das placas insolúveis no cérebro de doentes com Alzheimer não corresponde à severidade da sua doença.

Estudos recentes têm sugerido uma ligação entre determinados alimentos ricos em colesterol e um aumento da incidência da doença de alzheimer, sem explicar esta relação.

A descoberta abre caminho a novas intervenções de combate a esta doença neurodegenerativa que afecta cerca de dez por cento da população acima dos 65 anos, nomeadamente no âmbito do controlo do metabolismo lipídico e neutralização da formação e toxicidade das protofibrilas.

“Já estamos a trabalhar no próximo passo que é produção de novas drogas e/ou anticorpos capazes de controlar as fibrilas neurotóxicas”, afirmou Ivo Martins.

O Alzheimer é uma doença progressiva e fatal que resulta da morte de certas áreas do cérebro associadas com as funções cognitivas como a memória e a aprendizagem.

O trabalho envolveu ainda Inna Kuperstein, Joost Schymkowitz e Frederic Rousseau, do VIB Switch Laboratory, Vrije Universiteit Brussel, e do VIB Department of Molecular and Developmental Genetics, em Leuven, na Bélgica.

Fonte: Público

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