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O investigador Ricardo Gil da Costa recebe hoje o prémio investigação do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) por um estudo que admite um mecanismo de pré-linguagem nos macacos semelhante àquele que actua no cérebro humano.

Com um reportório de 10 a 12 vocalizações diferentes, o estudo concluiu que quando confrontados com sons com significado, em contraste com outros escolhidos ao acaso, o córtex cerebral dos macacos “rhesus” tinha uma vasta reacção.

“No fundo, em vez de haver uma activação específica de determinada área, constatou-se uma reacção em diversas áreas que se estendia a todo o cérebro. Existem diferenças significativas entre o mero processo de percepção auditiva e a reacção que o cérebro apresenta com sons com significado”, explica Ricardo Gil da Costa.

Será que a única barreira que distingue o Homem dos outros animais – a linguagem – deixou de existir? Não. O que foi identificado nas reacções dos macacos “rhersus” foi uma espécie de pré-linguagem que não se assemelha à linguagem humana.

Ricardo Gil da Costa desfaz possíveis equívocos: “é importante que fique claro que a linguagem humana não é igual à pré-linguagem analisada nos macacos “rhesus”. A nossa linguagem é composta por três elementos: fonética, semântica e sintaxe. É a partir dela que estruturamos pensamentos abstractos sobre o passado e futuro. Por seu turno, estes animais verificam apenas 10 a 12 tipos de focalizações durante toda a sua vida. Não têm capacidade de recursão – tanto quanto sabemos esta capacidade não está presente em mais nenhum animal que não o homem – , por isso, não produzem um fluxo contínuo de informação passado-futuro. Têm um condicionamento limitado a determinada percepção”.

O estudo que só agora está a ser premiado começou a ser desenvolvido em 2004. Depois de numa segunda fase ter sido provado que os macacos “rhersus” têm sistemas de representação conceptual semelhantes aos humanos, caminha-se para um novo estudo, ainda em fase inicial, que pretende explorar o que se passa com mamíferos como as focas e os golfinhos. “Estes animais também têm procedimentos de vocalização mas o seu cérebro tem uma evolução análoga, ao contrário da evolução cerebral homóloga dos humanos”, afirma Gil da Costa.

O investigador Português, que estará durante os próximos três anos no Salk Institute for Biological Sudies”, na Califórnia, afirma estar agora numa fase de introspecção onde para além de novas espécies serão também testados novos procedimentos. “ As técnicas de imagiologia testadas no primeiro estudo foram substituídas por métodos de electrocelegrafia que permitem denotar a diferença entre dois estímulos distintos na mesma área, coisa que não era possível com a imagiologia”.

A aplicação prática destes estudos em humanos já está a ser levada a cabo. Um projecto a decorrer na Faculdade de Medicina de Lisboa aplica o desenvolvimento do estudo de geologia cerebral, desenvolvido por Ricardo Gil-da-Costa, na recuperação de doentes com perturbações de linguagem.

Fonte: Público

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