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Trabalho usa ratos como modelos Já demonstrou ter efeitos anticelulíticos e, por isso, adicionada a cremes para o corpo. Provou ainda ter consequências nos programas de emagrecimento e incluída em águas e bolachas. E está agora em investigação a possibilidade de proteger o cérebro contra os malefícios da chamada droga de discotecas. A carnitina é um composto que poderá vir a ser inserida na dieta alimentar de jovens e evitar a morte das células pelo consumo de ecstasy. O trabalho é de uma equipa de oito investigadores do Porto, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC).

A investigação insere-se na tentativa de reduzir os danos provocados pelo consumo da droga. “Não podendo evitar-se, como seria desejável, podemos, pelo menos, tentar evitar que as consequências sejam tão graves”, explica uma das investigadoras responsáveis, Teresa Summavielle. Mas, explica, há ainda que “debater a questão do ponto de vista ético”, para saber até que ponto políticas de redução de danos se podem tornar incentivos ao consumo. O trabalho ganhou um prémio travel award para viajar até aos Estados Unidos e ser apresentado na conferência da Sociedade Neurociências.

Este grupo do IBMC, que trabalha com modelos animais, conseguiu já demonstrar que o ecstasy mata os neurónios, não por aumentar a temperatura corporal, como se pensava, mas por retirar energia às células ao danificar as mitocôndrias – um trabalho publicado no Journal of Neuroscience. Este mecanismo testado em ratos foi provado pelo facto de haver uma resposta favorável nos neurónios à administração de um medicamento contra a doença de Parkinson, que trava este mesmo processo.

Mas, explica Teresa Summavielle, este fármaco não pode ser utilizado para reduzir os efeitos das drogas porque interfere com outras funções que acabam por provocar a morte dos ratos usados como modelo de investigação. Há ainda evidências clínicas do perigo desta “mistura” pela morte de jovens que acumularam ecstasy com antidepressivos (que usam as mesmas substâncias que os medicamentos contra Parkinson).

E também no caso da carnitina não há “bela sem senão”. Este composto, que evita a perda de energia das células do cérebro, provoca um aumento da metabolização dos lípidos, o que acarreta igualmente perigos para a saúde. Portanto, os investigadores procuram agora perceber que dose minimiza este efeito ao mesmo tempo que continua a proteger os neurónios. “Temos ainda um equilíbrio a fazer”, explica Teresa Summavielle, adiantando ter em estudo outros compostos que possam igualmente ser introduzidos nas dietas alimentares dos adolescentes.

A carnitina aumenta a capacidade da célula de resistir aos ataques dos radicais livres que provocam poros nas membranas das mitocôndrias, levando à perda de funcionalidade das célula. O composto protege contra a deterioração das reservas energéticas dos neurónios que leva à morte celular.

Fonte: DN

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