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A ilha de Melville, no Árctico, alcançou este Verão temperaturas excepcionalmente elevadas que, em alguns dias, se fixaram nos 22 graus. Temperaturas amenas para os nossos padrões, mas inesperadas naquelas paragens. Foi em Julho e, para a equipa de investigadores do Ontário, Canadá, que há cinco anos regista passo a passo as variações de temperatura na ilha, esta onda de calor terá impactos ambientais significativos caso venha a manter-se ou a agravar-se num futuro mais ou menos próximo.

Scott Lamoureux, docente de Geografia na Queen’s University e coordenador da equipa – que desde a Primavera passada integra, também, investigadores da Universidade de Toronto -, considera no entanto “ser ainda prematuro atribuir [estas alterações] ao aquecimento global” do planeta.

Os dados recolhidos na ilha de Melville, referiu o investigador à ABC News, em reportagem ontem difundida, apontam para a possibilidade de “algo estar a mudar”, mas, disse, “é ainda muito cedo” para retirar conclusões.

As alterações sofridas pela paisagem – quer em extensão quer pela rapidez com que se processaram – marcaram a equipa, que no início de Agosto terminou a sua expedição deste ano. “Esperávamos que de algum modo isto viesse a acontecer um dia no futuro, mas vê-lo acontecer agora constituiu um choque para todos nós”, recordou Lamoureux.

Registos mais antigos, datados da década de 50, apontavam para uma constante na ilha de Melville: por regra, a temperatura diurna mais alta registada no mês de Julho não ia além dos 5 graus. Julho passado, porém, alterou por completo este quadro: a temperatura fixou-se quase sempre entre os 10 e os 15 graus, referiu o coordenador da equipa canadiana, e, em dias excepcionalmente quentes, nos 22 graus.

A tendência de aquecimento observada em Julho terá, ao que a equipa apurou após o seu regresso a casa, prosseguido nos meses de Agosto e Setembro. A análise de imagens por satélite poderá agora ajudar a esclarecer esse quadro.

Mas a ilha de Melville não foi a única a registar temperaturas fora do normal este Verão. Walt Meir, investigador norte-americano ouvido pelo jornal britânico The Independent, afirmou que, em Junho, Julho e Agosto, as temperaturas registadas no Árctico se situaram 3 a 4 graus acima do normal, “particularmente no Norte da Sibéria”, onde estiveram 4 a 5 graus acima do que habitualmente se esperaria.

O processo de degelo, referiu Meir, acentuou-se “rapidamente” aos longo da Primavera e Verão deste ano. Mark Serreze, investigador ouvido também pelo Independent, afirmou, por seu lado, que parecem não restar hoje muitas dúvidas sobre a possibilidade de assistirmos, ainda “durante o tempo das nossas vidas”, a um “oceano Árctico sem gelo no Verão”.

Fonte: DN

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