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Depois de adesivos, pastilhas com nicotina e outras estratégias de medicação para deixar de fumar, afinal pode ser tudo uma questão de genética. Num estudo divulgado ontem pela revista científica “Biological Psychiatry”, uma equipa de cientistas desenvolveu um exame genético que pode vir a garantir a médicos e pacientes que os medicamentos prescritos são úteis para largar o vício.

A equipa de cientistas sugere que testes genéticos podem ajudar a perceber se um determinado medicamento para deixar de fumar vai ter efeito no fumador e assim conceber a melhor estratégia de tratamento para cada caso, podendo haver pessoas que não consigam nenhum efeito a partir de medicação.

As descobertas têm por base o uso de bupropion, um anti-depressivo normalmente recomendado. As primeiras descobertas sobre este medicamento foram divulgadas no mês passado. Os cientistas descobriram que a enzima CYP2B61, com uma estrutura e função variáveis, tem influência directa na forma como o organismo reage ao bupropion.

“Este primeiro estudo identifica uma variante genética muito comum, presente entre 25 e 50 por cento da população mundial,que parece afectar os resultados dos tratamentos para deixar de fumar”, disse na altura Rachel Tyndale, co-autora da investigação.

No trabalho agora apresentado, cientistas de universidades norte-americanas e da universidade de Toronto, no Canadá, deram o passo seguinte e desenvolveram o teste que permite identificar qual a variante desta enzima presente em cada fumador.

O teste foi desenvolvido com base em duas variantes, a CYP2B6*6 e a CYP2B6*1. A equipa descobriu que os fumadores com a variante CYP2B6*1 (cerca de 55 por cento da população de ascendência europeia) não tinham qualquer vantagem em tomar bupropion para deixar de fumar – cerca de 30 por cento dos fumadores neste grupo conseguiam os mesmos resultados quer tomassem este medicamento ou um placebo.

Já os fumadores com uma ou duas cópias da mutação CYP2B6*6 revelaram resultados três vezes melhores do que aqueles que faziam o tratamento sem medicação.

“Um fumador demora muito tempo a preparar-se para deixar de fumar”, disse Rachel Tyndale à “Technology Review”. “Se conseguirmos identificar a abordagem adequada, podemos melhorar as taxas de abandono do tabaco”.

Exames genéticos

Segundo a “Technology Review”, apesar dos resultados positivos, a prescrição de exames genéticos para a condução de tratamentos para o problema do tabaco não é ainda uma aposta clara.

De acordo com uma estatística conduzida por Alexandra Shields, especialista em genoma da Universidade de Harvard, os médicos dizem que é pouco provável passarem um exame deste género a um paciente que queira deixar de fumar.

Num outro trabalho, a especialista constatou que os fumadores, a viver em zonas rurais ou urbanas, se mostram no geral apreensivos em relação a exames genéticos.

“Não percebem a genética e têm medo do que possa significar para eles e para as famílias. Mas se pudermos tornar estes recursos disponíveis para médicos e pacientes, o seu potencial é substancial”, disse Shields à “Technology Review”.

Fonte: Público

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