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Avanços no estudo de uma bactéria responsável pela maioria das infecções sexuais e por casos de cegueira que atingem milhões de pessoas valeram ao investigador português João Paulo Gomes o PhD Award 2007, um prémio europeu de referência na área da microbiologia.

O investigador do Centro de Bacteriologia do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA) receberá o prémio a 8 de Outubro. Esta é uma distinção atribuída às três melhores teses europeias de doutoramento na área da sequenciação dos genomas de microorganismos patogénicos para o homem, pela rede transeuropeia ERA-NET PathoGenoMics, financiada pela União Europeia.

A tese de doutoramento “Contribution for the understanding of biological differences among Chlamydia trachomatis serovars using Genomics and Transcriptomics” foi defendida na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e o estudo foi feito em colaboração com o laboratório norte-americano Childrens Hospital Oakland Research Institute, na Califórnia.

“Este foi um trabalho feito essencialmente cá e isto mostra que em Portugal se faz investigação muito boa e com qualidade”, disse o investigador, realçando que “quem conhece um bocadinho a realidade dos Estados Unidos percebe que a investigação nos EUA, muitas vezes considerada de ponta, é feita à custa de mão-de-obra estrangeira”.

No trabalho, João Paulo Gomes expõe as diferenças do genoma dos 18 serotipos da bactéria intracelular Chlamydia trachomatis, que afecta actualmente 80 a 90 milhões de pessoas no mundo.

As variantes desta bactéria são a maior causa bacteriana de infecções sexualmente transmissíveis e de traucoma — um problema que começa com uma inflamação no olho para depois se transformar numa conjuntivite crónica e que pode conduzir à perda de visão, comum em zonas rurais do Médio Oriente, África, Austrália, América Latina, entre outras.

“As pessoas estão infectadas sem o saber, sem ter qualquer tipo de sintoma, o que faz com que sejam reservatórios de transmissão, e portanto transmitam aos seus parceiros com uma certa facilidade”, explicou João Paulo Gomes, salientando que “isto está na base da elevada prevalência desta bactéria em todo o mundo”.

A tese de doutoramento consistiu “num estudo detalhado da biologia desta bactéria, nomeadamente nas diferenças a nível do código genético de todas as suas 18 variantes”. O cientista descobriu que a bactéria é mais diferente de variante para variante do que se esperava. No entanto, diz, esta investigação “não é um trabalho acabado”.

“No final ficámos com mais perguntas do que aquelas que tínhamos quando começámos”. João Paulo Gomes adiantou que pretende “continuar esta linha de investigação” e estudar a evolução da bactéria a um nível mais alargado do seu genoma, o que lhe dará trabalho durante os próximos anos.

A entrega do prémio a João Paulo Gomes decorrerá durante o 3º Congresso Europeu de Microbiologia, em Göttingen, na Alemanha.

Fonte: Público

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