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James Lovelock, pai da teoria de Gaia, e Chris Rapley, director do Museu de Ciência de Londres, propuseram numa carta publicada esta semana na revista “Nature” misturar águas profundas com águas de superfície nos oceanos para reduzir o sobre-aquecimento do planeta. Este, dizem, pode ser um “tratamento de emergência”.

Enormes condutas verticais poderiam, dizem, ser usadas para misturar as águas profundas, ricas em nutrientes, com as águas superficiais. Isto ajudaria à multiplicação de algas à superfície que, através da fotossíntese, podem absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, um dos gases com efeito de estufa responsáveis pelo sobre-aquecimento do planeta.

Segundo a revista “Nature”, estas algas poderiam produzir químicos que favorecem a formação de nuvens, ajudando a arrefecer o planeta.

Esta proposta não passa de uma sugestão e não tem validação científica, sublinham. Mas acontece que “o que está em risco é tanto” que sugerem utilizar a própria energia da Terra para ajudar a “curar” o planeta. James Lovelock é o autor da teoria de Gaia, segundo a qual a Terra é um sistema único capaz de recuperar das perturbações que lhe são infligidas.

“Acreditamos que não vamos conseguir salvar o planeta com as abordagens tradicionais, como o Protocolo de Quioto e as energias renováveis”, comentou James Lovelock à BBC News. Os dois cientistas duvidam que os planos actuais para reduzir as emissões consigam ter efeitos a tempo.

Mas não é nova a ideia de fertilizar o oceano para aumentar a sua produtividade biológica e reduzir o CO2 na atmosfera. Além disso, é apenas mais uma das controversas técnicas propostas para arrefecer o clima, como a colocação de espelhos reflectores da luz solar no espaço.

Esta semana, cientistas e políticos estão a debater aspectos científicos e legais implicados na fertilização dos oceanos numa conferência em Massachusetts, no Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI).

Uma empresa norte-americana, a Atmocean, já começou a testar uma tecnologia semelhante às condutas verticais de Lovelock e Rapley. O director da Atmocean, Phil Kithil, estima que pôr em funcionamento 134 milhões de condutas poderá absorver um terço do CO2 emitido pelas actividades humanas no espaço de um ano.

Rapley não acredita que esta seja a resposta certa para o problema do sobre-aquecimento do planeta mas permite ganhar tempo enquanto a sociedade desenvolve uma resposta mais completa.

Fonte: Público

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