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A lendária Passagem do Noroeste, a rota marítima mais directa entre a Europa e a Ásia, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, está limpa de gelo e aberta, o que sucede pela primeira vez desde que existem registos, em 1972, revelou a Agência Espacial Europeia (AEE).

Fotografias de satélite divulgadas por esta entidade mostram que o degelo causado este Verão pelo aquecimento global no Árctico é o responsável pela situação. Até agora, a Passagem do Noroeste permanecia gelada o ano todo, impedindo qualquer tipo de circulação de barcos. Mesmo quando não estava inteiramente obstruída pelo gelo, os icebergs tornavam quase impossível a navegação nesta via com 3 200 milhas (cerca de 5 100 quilómetros). Era uma aventura “estritamente reservada aos intrépidos”, como escreve o The Sunday Times.

Gelo derrete depressa

De acordo com a AEE, o gelo do Árctico derreteu este ano dez vezes mais depressa do que no ano passado, o que foi decisivo para esta inesperada abertura da Passagem do Noroeste. Os cientistas previam que tal só sucedesse algures durante as próximas duas décadas.

De acordo com Leif Toudal Pedersen, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca, a área gelada na zona diminuiu “para cerca de 3 milhões de quilómetros quadrados”.

Segundo revelou também este perito “a camada de gelo árctico nos últimos dez anos tem reduzido a uma média de 100 mil quilómetros quadrados por ano”, tendo este ano sido “um caso extremo”.

Já no ano passado, os cientistas do US National Snow and Ice Data Center, entidade que monitoriza a superfície do Árctico com regularidade, tinham previsto “a abertura iminente” da Passagem do Noroeste. As regiões polares estão entre as mais sensíveis do nosso planeta às alterações no clima. Segundo alguns cientistas, o Árctico poderá ficar quase totalmente sem gelo em 2040, mas trata-se ainda de estimativas e não de cálculos totalmente rigorosos.

“Viagem lindíssima”

No mês passado, o iatista americano Roger Swanson conseguiu navegar a totalidade da Passagem do Noroeste sem problemas. “Foi uma viagem lindíssima, quase que não havia gelo”, disse à chegada, citado pelo The Sunday Times.

Dois anos antes, em 2004, Swanson havia tentado a mesma travessia e o seu barco ficou preso no gelo, tendo voltado para trás in extremis.

A Passagem do Nordeste, no Árctico russo, continua, por outro lado, a estar parcialmente bloqueada pelo gelo, mas os cientistas acham que poderá também abrir em breve, bastante tempo antes do que estava igualmente calculado.

Durante mais de 400 anos que exploradores como o inglês Sir Francis Drake procuraram atravessar, mapear e “abrir” a Passagem do Noroeste, e assim estabelecer uma rota comercial mais curta para a Ásia que seria uma das potencialmente mais lucrativas do mundo.

O primeiro a conseguir atravessá-la por barco foi o famoso explorador polar norueguês Roald Amundsen, em 1906, tendo a viagem demorado três anos.

Nos últimos 100 anos, apenas 110 navios conseguiram repetir a façanha de Amundsen. A maior parte eram quebra-gelos ou então tinham os cascos especialmente preparados para varar grandes extensões de gelo.

Fonte: DN

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