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Uma equipa de cientistas identificou pela primeira vez um gene directamente responsável pela altura. O gene HMGA2 influencia diferenças de apenas um centímetro, o que não explica as variações de altura de toda a população, mas perceber a ligação entre os genes e o crescimento pode ser a chave para conhecer melhor doenças como o cancro.

O estudo — conduzido por Tim Frayling, da Peninsula Medical School, e Mark McCarthy, da Universidade de Oxford, que em Abril descobriram o primeiro gene ligado à obesidade — foi publicado ontem pela revista científica “Nature Genetics”.

Sabia-se que 90 por cento das variações de altura estavam mais relacionadas com factores genéticos do que com melhorias na alimentação. No entanto — salvo casos raros de crescimento atípico —, ainda não tinha sido possível isolar nenhum gene comum que influenciasse directamente a altura.

O estudo foi feito a partir de amostras do ADN de cinco mil pessoas. Cada indivíduo tem duas cópias de cada gene — uma paterna e outra materna. No caso do HMGA2, as cópias podem ser de uma variante “alta” ou “baixa”. Os investigadores verificaram que as pessoas com duas cópias da variante “alta” — que seriam geneticamente as mais altas — tinham mais um centímetro de altura do que as pessoas com duas variantes baixas.

“Há muitos factores que contribuem para nos fazer mais altos ou mais baixos”, disse Frayling. “Os nossos resultados não explicam por que é que uma pessoa mede 2,15 metros e outra 1,35. Este é apenas o primeiro de muitos que genes que vão ser descobertos, possivelmente centenas”.

Segundo os investigadores, o gene HMGA2 parece estar ligado ao aumento da produção de células, o que pode ter implicações no desenvolvimento dos cancros, uma vez que os tumores ocorrem devido ao crescimento celular desregularizado.

“Parece haver uma correlação entre a altura e algumas doenças”, disse Mike Weedon, um dos autores do estudo. “Por exemplo, há associações entre ser-se baixo e o risco de doenças cardíacas. Já as pessoas altas têm maior risco de desenvolver cancros e possivelmente osteoporose”.

“Apesar de uma melhor nutrição fazer com que as gerações sejam sucessivamente mais altas, a variação de altura numa população é quase totalmente influenciada pelos nossos genes”, disse Frayling. “Se combinarmos este facto à facilidade que temos em medir a altura, esta pode vir a funcionar como modelo, permitindo explorar a influência do genoma no nosso desenvolvimento geral, não apenas no que diz respeito a doenças”.

“Ao definir os genes que normalmente afectam a estatura, podemos ser capazes um dia de dizer aos pais que uma criança tem a altura certa, de acordo com o previsto pelos seus genes em vez de se tratar da consequência de uma doença”, disse Joel Hirschhorn, também da equipa de investigadores.

Fonte: Público

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