Skip to content

O Círculo

Empowering Communities

Trepar paredes pode deixar de ser uma tarefa exclusiva do Homem-Aranha e do alpinista urbano francês Alain Robert nos próximos dez anos. Uma equipa de cientistas descobriu a fórmula que permite reproduzir o fato do aracnídeo mais famoso da banda desenhada e com o qual acreditam ser possível, um dia, escalar o Empire State Building.

O estudo, que será publicado amanhã no “Jornal of Physics”, foi liderado pelo físico italiano Nicola Pugno e partiu da recente descoberta de que os animais como as aranhas e os gecos conseguem deslocar-se agarrados a superfícies verticais ou até invertidas devido à interacção das moléculas das suas extremidades com as moléculas das superfícies — um fenómeno conhecido por “forças de van der Waals”.

“Havia estudos sobre a capacidade de aderência dos gecos, mas a minha descoberta dedicou-se especificamente ao aumento, da aranha para o homem, destas propriedades fascinantes”, disse Pugno.

O resultado foi o desenvolvimento de uma tecnologia que vai funcionar como uma espécie de velcro microscópico e que imita — com ganchos e voltas feitos de materiais sintéticos — a estrutura nanomolecular dos pêlos ásperos das patas dos gecos e das aranhas e a capacidade de se limparem sozinhos e de serem resistentes à água. Quando estiver pronto, um fato com esta tecnologia vai permitir a deslocação humana em várias superfícies: apesar da forte aderência, pode ser facilmente retirado, o que permite a locomoção.

Segundo Pugno, apesar de esta tecnologia ser resistente à água, para funcionar em superfícies molhadas ou mesmo debaixo de água será preciso recorrer à tecnologia divulgada em Julho na revista científica “Nature”: um híbrido inspirado nas propriedades biológicas dos gecos e dos mexilhões. Utilizando capas com a tecnologia adesiva do mexilhão para proteger o velcro, será possível utilizar o fato numa variedade de ambientes e de superfícies quase ilimitada.

“Há muitas aplicações para a nossa teoria: da exploração e defesa espacial à concepção de sapatos e luvas para quem limpa as janelas”, lê-se no comunicado do Instituto de Física. Pugno avança outras áreas, como a medicina e a construção.

“Há uma série de mecânicas que precisam de ser estudadas antes que o fato se torne uma realidade. Os efeitos da força de aderência têm que ser investigados. Os músculos de um humano são diferentes dos de um geco. Ficaríamos muito cansados se tentássemos andar colados a uma parede durante muitas horas”, explica o comunicado.

Mas Pugno mostra-se mais entusiasmado: “Se se treinar muito, talvez seja possível escalar o Empire State Building”, em Nova Iorque.

Para o cientista, dez anos serão suficientes para o desenvolvimento do fato do Homem-Aranha, se a tecnologia continuar a progredir ao ritmo actual.

Fonte: Público

Advertisements

%d bloggers like this: