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O Círculo

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O abate de árvores na serra de Sintra, promovido pela empresa responsável pela gestão do património natural, está a gerar polémica. Residentes no concelho de Sintra acusam a Parques de Sintra – Monte da Lua (PSML) de estar a cortar árvores centenárias sem qualquer critério. A empresa afirma que a acção tem como objectivo prevenir os incêndios e defender as espécies autóctones.

A operação de limpeza começou em Maio, estende-se por uma área superior a 19 hectares, abrangendo a Tapada D. Fernando II (cujo investimento ronda os 48 mil euros), e a zona envolvente do Convento dos Capuchos (com um custo de quase 25 mil euros). Em Monserrate, o abate de acácias e de pinhal teve início no ano passado, numa área de 110 hectares, envolvendo um investimento superior a 130 mil euros, co-financiado pelo Ministério da Agricultura.

Jaime Ferreira, director técnico da PSML, disse ao DN que sendo a “serra de Sintra uma zona muito crítica no que toca aos incêndios, qualquer proprietário tem de fazer este tipo de intervenção”. Lembra que a serra está “altamente infestada” com espécies invasoras, como a acácia e o pitósporos, e que a empresa quer rearborizar algumas dessas áreas com espécies autóctones. De acordo com a PSML, os trabalhos estão “autorizados e são acompanhados pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICN)”, que todas as semanas faz uma vistoria ao local. Além disso, “há técnicos da empresa permanentemente no terreno” a fiscalizar. Contactado pelo DN, o ICN confirma que a proposta da PSML foi acompanhada desde o início, cabendo ao ICN a definição “do tipo de árvores a abater”.

Apesar disso, a contestação ao derrube de árvores na serra tem sido difundida na blogosfera. Rui Silva, autor do blogue Serra de Sintra, tem vindo a alertar para o “abate indiscriminado de floresta”, dando o exemplo da Tapada D. Fernando II, onde diz existir uma “verdadeira clareira cuja utilização – ao que parece – se destina à criação de uma zona de lazer ajardinada”. Rui Silva sublinha “a falta de sensibilidade da PSML”, recordando “a forma como foi ajardinada a zona envolvente dos Capuchos (onde não falta sequer um ridículo lago artificial)”. No blogue Rio das Maçãs, Pedro Macieira, residente no concelho, junta-se às críticas e diz-se “preocupado” com o abate de “árvores centenárias numa área sensível como a serra de Sintra”.

Jaime Ferreira, da PSML, afirma que “80% a 90% das árvores abatidas são espécies invasoras”, mas admite que estão também a ser removidas árvores “em risco de cair, como o pinheiro ou o cedro”. O início da rearborização está previsto para o final deste ano e apostará em espécies adaptadas “às diferentes áreas e ecossistemas”. “Teremos amieiros, freixos e salgueiros associados aos cursos de água. Serão também plantados carvalhos, sobreiros, azevinhos”, adianta o director técnico.

Mesmo depois de um esclarecimento da empresa, em resposta a várias solicitações dos munícipes, a contestação promete continuar. O blogger Rui Silva promete não “deixar cair o assunto”, estando mesmo disposto a levá-lo até à UNESCO.

Fonte: DN

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