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Dois investigadores descobriram que uma zona específica do cérebro, localizada no córtex frontal mediano — onde ocorrem os processos intencionais —, é activada quando se volta atrás numa decisão.

A descoberta sobre a capacidade de auto-controlo — publicada hoje pela revista científica “Journal of Neuroscience” — pode explicar por que razão algumas pessoas são mais impulsivas do que outras e poderá vir a ser útil no diagnóstico e terapias associadas a alguns distúrbios psicológicos.

Marcel Brass, da Universidade de Ghent (Bélgica), e Patrick Haggard, da Universidade de Londres (Reino Unido), fizeram a experiência com 15 pessoas: registaram através de exames de ressonância magnética a actividade cerebral dos participantes, que tinham de carregar num botão quando tomavam uma decisão. Os sujeitos apontavam então a hora em que decidiam intencionalmente travar a acção que já tinham planeado, para que os investigadores pudessem comparar as ressonâncias dos dois momentos — quando a acção era levada até ao fim e quando havia uma inibição voluntária do comportamento.

Os investigadores verificaram que quando se volta atrás numa decisão ocorre um aumento de actividade no córtex frontal mediano — a zona imediatamente acima dos olhos —, o que não se verificava quando os participantes levavam até ao fim a intenção de realizar uma acção. Segundo os investigadores, aqueles que repetiam mais vezes o processo de inibição apresentavam um certo contraste nesta zona do cérebro.

“A nossa pesquisa constitui um novo passo nos estudos sobre a acção intencional e da inibição. Há muitos trabalhos sobre a actividade do cérebro no âmbito da acção intencional e dos estímulos externos que motivam a inibição, como por exemplo parar perante um semáforo vermelho”, disse Marcel Brass. “No entanto, a inibição intencional da acção é um fenómeno pouco estudado e achamos que é algo crucial na nossa vida diária, além de ser importante para o conhecimento de patologias específicas que envolvam uma falha na capacidade de auto-controlo”, disse.

O próximo passo é continuar os estudos nesta área. “Esta questão era um pouco negligenciada. Esperamos que a nossa investigação estimule novas pesquisas no mesmo sentido: como é que podemos decidir não fazer uma coisa que já tínhamos planeado fazer”, explicou.

Fonte: Público

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