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Uma estrela quando caminha para a morte deixa atrás de si a semente para novos sistemas solares, mundos e planetas. O seu fim é um trajecto de nova vida, como uma equipa de 11 astrónomos que realizou observações do espectro ultravioleta do céu, recorrendo ao telescópio espacial Galaxy Evolution Explorer , constatou ao observar a estrela Mira.

Os resultados preliminares da observação, iniciada em 2003 e a terminar no próximo ano, foram divulgados no mais recente número da revista Nature, ontem publicado.

Mira (do latim maravilhoso, extraordinário), também conhecida como Omicron Ceti, era há milhões de anos uma estrela semelhante ao Sol antes de se transformar naquilo que os astrónomos designam como uma estrela vermelha variável, uma das primeiras com estas características a ser observada.

Uma estrela variável é uma estrela que está a arrefecer, expandindo-se e contraindo-se no equivalente a 332 dias de tempo terrestre, sendo possível de seguir a olho nu no máximo da sua expansão. Esta é a etapa final na vida de uma estrela, antes de se transformar em nebulosa planetária.

A Mira deverá estar visível nos céus em Novembro, deslocando-se actualmente na Via Láctea a uma velocidade estimada em 468 mil quilómetros por hora – o que é invulgarmente alto para uma estrela neste estado, segundo os especialistas -, ao mesmo tempo que deixa atrás de si um rasto de gases, poeira e vestígios de matéria disseminado entre as estrelas existentes – o espaço interestelar -, o equivalente à massa da Terra em cada oito anos. Num processo que dura há 30 mil anos.

Aquele rasto ( átomos de carbono, nitrogénio e oxigénio), o primeiro da sua natureza a ser observado, segundo o texto de apresentação do estudo, poderá fornecer pistas para entender o nascimento de planetas e sistemas solares. Para uma ideia do que significam 13 anos-luz, este valor representa três vezes a distância do Sol à outra estrela mais próxima de si.

Primeiramente detectada há 400 anos, sucessivamente por David Fabricius, em 1596, Johann Holwarda, em 1638, e por Johannes Hevelius, em 1642, que a baptizou Mira, a sua primeira observação no século XX foi por um português, João de Moraes Pereira, a 16 de Outubro de 1902 em São Miguel, Açores, segundo a página da AAVSO, associação dos EUA consagrada ao estudo e observação deste tipo de estrelas.

Os dois principais autores do estudo da Nature, Christopher Martin e Mark Seibert, chamam ainda a atenção para uma particularidade na dianteira de Mira, resultante da velocidade a que se desloca. A nuvem de gases que aí se observa resulta da compressão da matéria interestelar, um “pouco como a espuma que se forma adiante da quilha de um barco”, explicou Seibert.

Fonte: DN

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