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O Círculo

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O navio italiano Urania sai esta tarde do porto de Sagres para instalar, a cerca de cem quilómetros dali, no mar alto, a primeira estação marítima de alerta de terramotos e tsunamis para a Europa. Colocada no fundo do mar, ao largo do Algarve, e equipada com sismómetros e sensores de pressão, esta estação, apesar de ser ainda um protótipo, é “idêntica às estações que os americanos têm no Pacífico “, explica ao DN Maria Ana Machado, investigadora do Centro de Geofísica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A instalação, a título experimental, está integrada no projecto europeu Nearest (Near Sources of Earthquakes and Tsunamis), que conta com parceiros em Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, França e Marrocos, e é financiado pelo VI Quadro de apoio comunitário. Os parceiros portugueses são o Instituto de Meteorologia e a Universidade de Lisboa, mas o coordenador do projecto é o italiano Nevio Zitelini do ISMAR, em Bolonha.

A estação, de tipo Geostar, ficará a 3600 metros de profundidade no Golfo de Cádis, o mais próximo possível dos acidentes tectónicos encontrados – o Banco de Gorringe, a Falha do Marquês de Pombal e a Falha da Ferradura, cuja actividade, isoladamente ou em separado, pode gerar um sismo equivalente ao que abalou Lisboa em 1755.

A partir de sábado, a estação-piloto irá emitir para uma bóia à superfície que processa os dados e os envia, através de satélite, para as estações terrestres localizadas em Portugal, Espanha e Marrocos. Ao longo de um ano, os dados recolhidos permitirão fazer medições geofísicas do fundo do mar e identificar sinais de terramotos e tsunamis – não só é possível calcular o epicentro e a magnitude dos sismos como, através das medições da pressão, se pode detectar a ocorrência de um tsunami e calcular o seu tempo de chegada a diversos pontos na costa. Os dados permitirão ainda, por exemplo, antecipar as consequências de um tsunami e de uma grande inundação no Algarve.

Este ano também servirá para recolher o máximo de informação com vista à instalação do sistema de alarmes de terramoto e tsunamis para o Nordeste Atlântico e Mediterrâneo, que a ONU pretende ter a funcionar até 2008. “Esta estação-piloto vai dizer-nos qual a melhor localização no Golfo de Cádizs para instalar o sistema de alarme da ONU”, explica Maria Ana Baptista.

Fonte: DN

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