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A camada de gelo do Árctico deverá atingir, no final deste Verão, um novo mínimo recorde. De acordo com as medições efectuadas pelo Centro Nacional de Informação sobre Neve e Gelo, dos Estados Unidos, a extensão de gelo a 8 de Agosto era quase 30% mais baixa do que habitualmente. Mas, como a época de degelo na região se prolonga, os cientistas prevêem que, até no final do Verão, o Árctico terá a menor camada de gelo de sempre.

Os dados do centro americano apontam para 5,8 milhões de quilómetros quadrados de gelo – enquanto a média de Agosto nos anos 1979 a 2000 era de 7,7 milhões de quilómetros quadrados. Até agora, o mínimo foi atingido no final do Verão de 2005, quando a camada de gelo no Árctico se resumiu a 5,32 milhões de quilómetros quadrados (Portugal, para se ter uma ideia, tem cerca de 90 mil quilómetros quadrados).

“Se olharmos para os valores da primeira semana de Agosto, verificamos que são muito inferiores ao mesmo período em 2005”, explicou à BBC Mark Serreze, investigador do Centro Nacional de Informação sobre Neve e Gelo. Como hipótese explicativa, Serreze avança que, provavelmente, a camada de gelo na região polar estará a sofrer os efeitos das mudanças climáticas provocadas pela acção humana, em especial pela maior concentração na atmosfera dos gases responsáveis pelo efeito de estufa. “Sabemos que as variações climáticas naturais podem influenciar a extensão de gelo, mas penso que não podemos explicar tudo apenas através de um processo natural”, diz o especialista. “De uma maneira geral, o padrão será o seguinte: derrete cada vez mais gelo durante o Verão e recupera-se cada vez menos no Inverno.” Os investigadores do Centro Nacional de Investigação Atmosférica da Universidade de Washington, já tinham avisado, em Dezembro do ano passado, que, por este motivo, o mais provável é que em 2040 não haja gelo nos verões do Árctico.

A superfície de gelo reflecte 80% da luz solar, devolvendo-a ao espaço. Mas à medida que o gelo derrete, durante o Verão, a recuperação torna-se mais difícil, pois a superfície negra do oceano absorve 90% da luz solar que recebe: assim, as águas aquecem e contribuem ainda mais para o degelo das placas. Este processo, que tem tendência a ser cada vez mais rápido, tem efeitos na vida selvagem da região e vai potenciar as alterações climáticas em todo o globo.

Fonte: DN

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