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As crianças com cancro podem apresentar problemas cognitivos devido à doença e aos tratamentos a que são submetidas, revela uma investigação do IPO do Porto.

O estudo, que está a ser concretizado no Serviço de Psico-oncologia do IPO/Porto, irá procurar perceber, ao longo dos próximos cinco anos, o impacto neuropsicológico dos tratamentos administrados em crianças com cancro.

Entre as possíveis complicações a longo prazo, os investigadores apontam as limitações no crescimento e desenvolvimento da criança, disfunções neurocognitivas, problemas cardiopulmonares e gastrointestinais e ainda sequelas músculo-esqueléticas.

Segundo o director do serviço de Psico-Oncologia do IPO/Porto, Adoíndo Pimentel, «o número de crianças sobreviventes de cancro é cada vez mais elevado, no entanto, é inegável que os tratamentos, quando actuam sobre o sistema nervoso central, têm consequências neurocognitivas e psicológicas deveras negativas para as crianças».

«Com este projecto pretendemos promover uma melhor qualidade de vida dos sobreviventes do cancro infantil», frisou.

Segundo os dados do IPO/Porto, aproximadamente dois terços dos sobreviventes de cancro infantil experimentam pelo menos um efeito tardio e um quarto depara-se com um efeito tardio grave ou até ameaçador da própria vida.

As leucemias e os tumores cerebrais são as formas mais representativas de cancro na infância e o seu tratamento pode ter impacto intelectual e neuropsicológico negativo de largo espectro, contribuindo para os défices cognitivos na memória visual, na atenção/concentração e na capacidade de reconhecimento.

Adoíndo Pimentel considera «de extrema importância a realização de investigações que previnam cada vez mais as sequelas físicas e psicológicas que resultam das terapêuticas».

Acrescenta que «as crianças com cancro são um grupo de risco na medida em que pode haver um comprometimento ao nível do desenvolvimento de competências verbais e não verbais, rendimentos académicos e competências sócio-emocionais».

O objectivo da investigação é melhor conhecer as complicações destas doenças para no futuro oferecer uma maior qualidade de vida e bem-estar às crianças e adolescentes sobreviventes de cancro.

Os participantes deste estudo são crianças do Serviço de Pediatria do IPO/Porto, tratadas com cirurgia, radioterapia cerebral e/ou quimioterapia intratecal.

Os dados são recolhidos na fase de pré-tratamentos, um mês após o término do tratamento, dois anos após os tratamentos e cinco anos após a conclusão das terapêuticas.

Lusa / SOL

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