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O Círculo

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Cientistas da universidade de Boston, nos EUA, detectaram um gigantesco lago subterrâneo na região do Darfur, na zona ocidental do Sudão, que desde 2003 vive um conflito sangrento e interminável, que já causou mais de mais de 200 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados.

Os investigadores norte-americanos acreditam que a sua descoberta é uma gota de esperança, já que pode ajudar a resolver o problema, pondo termo ao que é considerado actualmente o maior drama humanitário, como noticiou ontem a BBC.

A descoberta foi feita por um grupo do Centro de Detecção Remota da universidade de Boston, que utilizou registos de radar de satélites para identificar o lago subterrâneo. A extensão de água, dizem os cientistas é de 30,7 mil quilómetros quadrados, que entra assim directamente para o top ten dos dez maiores do mundo, justamente para a décima posição.

De acordo com as estimativas feitas pela equipa, a capacidade do lago permitirá abrir na região, com o acordo do governo do Sudão, algo como mil poços para abastecimento de água potável.

“Muito do está na base do conflito no Darfur e do drama que ele desencadeou é devido à escassez de água”, disse o geólogo Farouk El-Baz, que dirige o centro onde foi feita a descoberta, citado pela BBC News online. E sublinhou: “O acesso a água potável é essencial para a sobrevivência dos refugiados, ajudará ao processo de paz e será um importante contributo em termos de recursos para o desenvolvimento na região”.

Diversos analistas têm, de resto, considerado que a competição pelos recursos entre os árabes nómadas da região e os camponeses africanos está na base do problema. Devido à seca no Norte do Darfur, os árabes nómadas foram empurrados para o sul, onde acabaram por entrar em choque com os camponeses da zona.

Nos seus contornos políticos, o conflito do Darfur teve início em Fevereiro de 2003, quando o Movimento pela Justiça e pela Igualdade se revoltou, juntamente com o Movimento de Libertação do Sudão (MLS), para protestar contra marginalização sofrida por esta região de 493 mil quilómetros quadrados.

Quatro anos depois, os grupos rebeldes fragmentaram-se, não há fim à vista para o conflito e as suas consequências são consideradas como uma das piores situações humanitárias que a ONU já teve de enfrentar.

Ainda há três dias, a segunda conferência internacional sobre o Darfur, organizada conjuntamente pelas Nações Unidas (ONU) e pela União Africana (UA), em Tripoli, resultou em pouco mais do que boas intenções, para o relançamento do processo político para a paz. O principal problema do Darfur, porém, radica neste momento na fragmentação a que chegaram os movimentos rebeldes sudaneses, que se dividiram em 13 formações diferentes, das quais apenas uma, o Movimento de Libertação do Sudão (MLS), assinou a paz com o governo de Cartum, em Maio de 2006, em Abuja.

Talvez a descoberta ontem noticiada pela BBC seja mesmo a gota de esperança que faltava para acelerar a resolução do conflito. A ser assim, este será também o momento ideal para lançar campanhas civis a favor da paz.

Fonte: DN

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