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O Círculo

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Mais de um quarto da água em distribuição na rede pública do país é desperdiçada, registando-se uma média de 28,5 por cento de fugas, apurou um estudo da revista “Pro Teste”, da associação Deco, a que a Lusa teve acesso.

O estudo mostra que as perdas de água na rede pública de abastecimento variam entre dois por cento em Mondim de Basto (com o sistema mais eficiente do país) e 54 por cento no Alandroal (no topo da lista do desperdício).

“Actualmente, por cada cem litros de água consumidos, apenas 58 são necessários para o fim desejado, o que mostra que a implementação do Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água está muito longe de ser conseguida”, disse à Lusa a coordenadora do estudo, Sílvia Menezes.

O Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água, aprovado em 2005, pretende atingir uma eficiência de utilização de 80 por cento no consumo urbano em dez anos, estando a sua concretização a cargo dos ministérios do Ambiente e das Obras Públicas.

Inquérito respondido por 197 câmaras

O estudo — que será publicado na próxima edição da revista editada pela Deco — foi feito com base nas respostas dadas por 197 das 305 câmaras municipais de todo o país.

Apenas metade dos municípios que responderam está a aplicar pelo menos uma das 87 medidas previstas no Plano Nacional para o Uso Eficiente da Água.

Dos municípios que afirmam estar a tomar medidas quanto às fugas, a mais comum é a substituição de condutas antigas.

Os dados do estudo mostram também que muitas autarquias afirmam desconhecer a percentagem de fugas na sua zona, enquanto outras indicam o valor mas remetem-se ao silêncio quanto à aplicação de mecanismos de diminuição de desperdício.

Muitas autarquias desconhecem ainda a forma como a água é gasta, não registando usos isentos de pagamento, como a rega de espaço de piscinas municipais ou até dos seus edifícios.

A Deco conclui que as grandes falhas na gestão dos recursos hídricos por parte das autarquias portuguesas centram-se sobretudo no excesso de fugas de água e na pouca divulgação dos resultados das análises junto dos munícipes.

Quanto à qualidade, o inquérito detectou análises em falta, assim como incumprimento nos valores máximos permitidos de contaminantes e tratamento deficiente das águas residuais.

Governo deve regulamentar uso de dispositivos eficientes

Para obviar a esta situação de descontrolo, a Deco apela ao Ministério da Economia que regulamente “com urgência” o uso obrigatório de dispositivos eficientes (autoclismos, torneiras e chuveiros) em construções novas ou reabilitadas, definindo volumes máximos de consumo de água por equipamento.

“Compete ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações criar legislação que impeça a venda de dispositivos não eficientes e criar incentivos fiscais para substituir equipamentos por outros mais eficientes”, lê-se no estudo.

Os resultados do estudo foram comunicados à Associação Nacional dos Municípios Portugueses.

Fonte: Público

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