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O Círculo

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A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, defendeu hoje a uniformização urgente dos critérios para avaliar as pessoas com deficiência, que actualmente variam consoante os serviços.

“Nunca tivemos tantos modelos, grelhas e modos para poder avaliar uma pessoa com deficiência”, lamentou Idália Moniz, em Viseu, ao intervir num seminário sobre a plataforma para a inclusão de alunos com necessidades educativas especiais.

Segundo a governante, nos vários serviços há “conceitos muito diferentes” que, por vezes, “chocam entre si”, sendo “os principais prejudicados aqueles que deveriam ser o objecto primordial da intervenção: as pessoas com deficiência, com incapacidade e as suas famílias”.

“É urgente uniformizar”, frisou depois em declarações aos jornalistas, considerando que tal deve ser feito “à luz de uma classificação internacional”.

Idália Moniz usou o exemplo dado durante o seminário por Jerónimo de Sousa, do Centro de Reabilitação Profissional de Gaia, segundo o qual, “relativamente a uma determinada pessoa, por vezes quando a Saúde pede determinada informação, os técnicos de outras áreas não sabem do que é que a Saúde está a falar”.

Por outro lado, acrescentou, “quando chega à Saúde o pedido de informação, também os profissionais de saúde não sabem descodificar”.

“Temos que definir muito bem do que é que andamos a falar, senão andamos sempre a falar de coisas diferentes, a intervir de formas diferentes”, sublinhou a secretária de Estado.

Lembrou que o Governo está “a desenvolver todo um processo de adaptação dos modelos nacionais à luz das convenções internacionais e das próprias mudanças que têm sido feitas no paradigma da deficiência” nos últimos anos.

Isto porque, “se há uns anos se enquadrava a pessoa com deficiência numa perspectiva meramente assistencialista, depois passou a valorizar-se a pessoa em si mas com um papel na sociedade muito diminuto e hoje se valorizam todas as potencialidades que essas pessoas têm, cabe à sociedade adaptar-se a essas pessoas, dentro da diversidade, de forma individualizada”.

“É óbvio que temos que fazer as mudanças, ter em conta todo o processo habilitativo, reabilitativo que promova uma efectiva participação das pessoas na sociedade e uma efectiva inclusão”, afirmou, acrescentando que, nesse âmbito, há que trabalhar “com um objectivo muito focalizado nas próprias pessoas, nas suas famílias e igualdade efectiva de oportunidades”.

A responsável considera fundamental não só saber no que se está a trabalhar, mas também “medir o trabalho”, para conhecer “qual o impacto que tem junto destas crianças e das famílias”.

“Temos que saber qual é o contributo do nosso trabalho para o seu processo de integração e de participação na sociedade, para toda a sua evolução desde que entram no sistema educativo até que saem e entram numa fase activa das suas vidas”, realçou.

Segundo afirmou, a convicção do Governo é que deve trabalhar “com dados concretos, afectando recursos concretos, avaliando e alterando sempre que há necessidade” ou “que se perceba da avaliação desses parâmetros concretos que os resultados não estão a ser os mais eficazes”.

Nesse âmbito, acrescentou também ser preciso “uma melhor leitura da deficiência em Portugal”, um trabalho que está já a ser feito, uma vez que os dados fornecidos pelos Censos 2001 têm “grandes lacunas” e não permitem uma “leitura objectiva”.

Fonte: Público

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