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O Círculo

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As pessoas com diabetes poderão em breve tomar um comprimido de insulina em vez de se injectarem diariamente. A empresa inglesa Diabetology tinha marcada para ontem, em Chicago, nos Estados Unidos, a apresentação dos resultados de uma investigação realizada em parceria com a Universidade de Cardiff demonstrando a eficácia de uma cápsula de insulina que pode revolucionar a vida dos pacientes com diabetes.

A insulina oral é um sonho antigo dos diabéticos e, desde 1994, várias empresas de todo o mundo têm tentado produzi-la. O problema é que a insulina é uma proteína e o estômago está preparado para digerir as proteínas. Mas depois de vários anos de investigação, a Diabetology anunciou que conseguiu envolver a insulina numa cápsula resistente aos ácidos estomacais, impedindo a sua destruição e permitindo que passe intacta para o intestino delgado. Aí, a cápsula dissolve-se e a insulina é absorvida através das paredes do intestino. A insulina é, então, transportada para o fígado, onde é armazenada e depois distribuída pelo corpo.

Desta forma, a distribuição da insulina também é mais parecida com aquilo que acontece num corpo saudável – onde é o pâncreas a fonte de insulina, libertando-a à medida que é necessária. Uma das vantagens da pílula será, portanto, evitar “picos” de insulina no sangue. A cápsula também é muito mais fácil de administrar, sobretudo às crianças, que reagem mal às injecções ou à recente insulina inalável.

A Diabetology apresentou à Associação Americana de Diabetes os resultados preliminares de uma experiência envolvendo 16 pacientes com diabetes de tipo 2 (a mais comum e que se desenvolve, geralmente, na meia idade), mostrando que tomar insulina por via oral deverá possibilitar um maior controlo dos sintomas, ao mesmo que melhorará a qualidade de vida dos pacientes.

Ian Frame, director de investigação da Associação de Diabetes do Reino Unidos, afirmou publicamente que esta pesquisa é interessante mas que deve ser encarada com reservas: “Acolhemos de bom grado qualquer avanço que possa melhorar a vida das pessoas com diabetes. Mas a pesquisa ainda está numa fase inicial. Gostaríamos de ter mais informações.”

Além disso, alertou, a maioria das pessoas que necessita de insulina para controlar os níveis de açúcar no sangue tem diabetes de tipo 1. Geralmente, o tipo 2 pode ser controlado unicamente com uma dieta adequada e o uso de medicamentos orais. A insulina só é necessária numa fase mais avançada da doença.

Teoricamente, o uso de insulina por via oral implicará uma quantidade menor do que a ministrada através de injecções. Mas algumas vozes críticas referem a dificuldade em estabelecer uma dose certa de insulina para ingerir – porque tem a ver com a alimentação e com o metabolismo de cada pessoa – e a velocidade com que a insulina chega ao sangue (por via oral, o processo será mais lento do que com injecções) . É preciso fazer medições e constantes ajustes nas doses, dizem.

Porém, a equipa de investigação da Universidade de Cardiff, orientada pelo professor David Owens, pretende demonstrar que uma dose oral de insulina, tomada duas vezes por dia (antes do pequeno-almoço e antes do jantar), permite controlar os níveis de glucose com sucesso, dispensando o uso de outros medicamentos e reduzindo os efeitos colaterais geralmente associados, quer a estes medicamentos quer às injecções, como, por exemplo, o risco de enfarte.

Recentemente, uma equipa de cientistas da Universidade da Flórida anunciou que está também a investigar o uso de insulina oral para prevenir ou atrasar o aparecimento da diabetes de tipo 1 em grupos de risco (sobretudo familiares de outros doentes).

Fonte: DN

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