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Os videojogos criam dependência e actuam sobre o cérebro da mesma maneira que o álcool ou a cannabis, segundo um estudo de cientistas alemães hoje apresentado em Viena, noticia a agência Lusa. Mas o PortugalDiário encontrou opinião contrária junto de uma média pedopsiquiatra. «Parte-se desde logo de uma premissa errada, uma vez que não está cientificamente provado que o cannabis crie dependência», explica Zulmira Correia.

A médica defende que «seria mais lógica a comparação com o vício em jogos de azar, dos casinos, porque o sistema de recompensa é semelhante». «O vício é diferente, o álcool cria uma dependência física e o vício em jogos, seja videojogos, jogos de azar ou aqueles jogos antigos de máquinas, como os flipers, não implica uma degradação física, o que faz com que a comparação seja algo exagerada», explicita a pedopsiquiatra.

Contudo, segundo Ralf Thalemann, do Instituto de Medicina Psicológica da Universidade Charité de Berlim, responsável pelo estudo, «as reacções cerebrais das pessoas que usam em excesso os videojogos são semelhantes às dos alcoólicos ou dos viciados na cannabis». O estudo foi apresentado no V Fórum Europeu de Investigadores de Neurociência, que até quarta-feira reúne na capital austríaca cientistas que se dedicam aos processos cerebrais.

Se os utilizadores de videojogos submetem o cérebro continuamente a certos estímulos de recompensa que causam a libertação de quantidades crescentes de dopamina, um neurotransmissor, cria-se uma «memória de habituação» que tem efeitos na actividade cerebral.

Em testes realizados em mais de 7.000 pessoas, os investigadores descobriram que mais de 10 por cento tinha essa «memória de habituação» gravada no cérebro.
A equipa de investigadores, chefiada por Thalemann, quis investigar o resultado cerebral dessa «habituação», comparando as reacções cerebrais a imagens de um videojogo em 15 jogadores «normais» e outros 15 que passavam muito tempo em frente ao ecrã do computador.

Os cientistas comprovaram que os jogadores que dedicavam mais tempo aos jogos tinham uma reacção cerebral muito mais elevada que os outros a esse estímulo, e que as imagens dos videojogos tinham uma associação positiva para eles.

«Podemos afirmar que o electroencefalograma e o modelo de electromiograma dos que usam em excesso os videojogos são comparáveis aos dos viciados no álcool e na cannabis», afirmou Thalemann.

Isso acontece, acrescentou, porque «o sistema de recompensas cerebrais se encontra activado e as experiências positivas são armazenadas numa memória da habituação no cérebro».

O cientista sugeriu que os pais que suspeitem que os seus filhos estejam viciados em videojogos deveriam encaminhá-los para actividades alternativas que cumpram a mesma função de «elevar o amor-próprio» dos jovens.

Estudo «exagerado e abusivo»

Fernando Marques, responsável pela área de entretenimento da Microsoft em Portugal, disse ao PortugalDiário que é «exagerado» e «abusivo» comparar os jogos de vídeo às drogas. «O caso dos jogos é igual a tudo na vida: o importante é que o bom-senso impere e que não haja exageros».

O responsável recorda que há muitos estudos nesta área e alguns apontam até o efeito contrário aos jogos de vídeo, e consideram que são «educativos» e importantes para desenvolver «os reflexos» das crianças.

Para Fernando Marques, o sentimento de recompensa que as crianças obtêm através dos jogos é «semelhante ao que temos após um dia de trabalho, quando as coisas nos correm bem, e não pode ser comparado ao consumo de drogas».
Embora ao contrário do que acontece com o álcool ou as drogas, os videojogos não criem dependência física, os cientistas recomendam aos pais que ensinem os jovens a jogar de forma controlada.

Fonte: Portugal Diário

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