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A obra do documentarista alemão Peter Nestler, considerado um dos mais proeminentes na Europa, vai ser destacada na sexta edição do Doc`s Kingdom, um seminário internacional sobre cinema documental, que começa hoje em Serpa.


Promovido pela APORDOC – Associação pelo Documentário, o seminário, que se prolonga até domingo, no Cine-teatro de Serpa, inclui a projecção de 22 filmes e sete conversas com cinco documentaristas convidados.
O realizador Nuno Lisboa, programador do Doc`s Kingdom, explicou à agência Lusa que o seminário é «um retiro onde os documentários funcionam como pretextos para uma reflexão informal sobre os caminhos do documentário contemporâneo».

«É uma oportunidade única para ver alguns dos mais interessantes documentários produzidos nos últimos anos, falar com os seus realizadores, pensar as novas tendências do cinema documental e descobrir jovens autores», acrescentou.

A edição deste ano, explicou Nuno Lisboa, parte do tema genérico «A palavra em circulação» e alguns dos documentários em exibição «ilustram como a palavra se instala, se inscreve ou se confronta com a imagem, contra o automatismo e a banalização do discurso verbal no cinema».

Por outro lado, salientou, as palavras, através das conversas com os cinco documentaristas convidados, «vão permitir descobrir melhor os filmes e mergulhar nos universos pessoais dos autores».

Além do realizador português Gonçalo Tocha, o seminário conta com a presença de quatro cineastas estrangeiros, cuja obra, segundo Nuno Lisboa, «nalguns casos, é inédita em Portugal e pouco divulgada à escala europeia».

À presença do alemão Peter Nestler, «aposta central» desta edição, juntam-se o norte-americano David MacDougall e os franceses Vladimir Léon e Pierre Creton.

A exibição, hoje, às 21:00, de «ICE» (1969), um documentário «raríssimo» do norte-americano Robert Kramer, conhecido como o cineasta da Esquerda radical Americana, marca o «pontapé de saída» do seminário.

Com mais de 50 documentários realizados desde 1961, Peter Nestler, considerado «um dos mais proeminentes» documentarias na Europa, vai «dominar» o «reino dos documentários» na quarta- feira e na quinta-feira de manhã.

Ao todo, além de duas conversas com o cineasta alemão, vão ser exibidos nove filmes, divididos em três blocos, que, segundo Nuno Lisboa, «percorrem os diversos territórios e períodos do trabalho do realizador de filmes de teor histórico».

Na quarta-feira, à noite, para «abrir o apetite» para o «universo cinematográfico» de Vladimir Léon, o Doc`s Kingdom exibe «Nissim dit Max» (2004).

Um filme onde o cineasta francês evoca acontecimentos do último século que se cruzam com o retrato do pai, correspondente em Moscovo do jornal oficial do Partido Comunista Francês, «L`Humanité».

A tarde de quinta-feira e a manhã de sexta-feira vão ser dedicadas ao cinema documental francês, com a exibição de «Le Brahmane du Komintern», o último filme de Vladimir Léon, e de quatro documentários de Pierre Creton, além de conversas com os cineastas.

«Balaou», o segundo filme de Gonçalo Tocha, será exibido, sexta-feira, às 15:00, seguindo-se uma conversa com o realizador português que, com este filme, ganhou os prémios de Melhor Longa-metragem Portuguesa e Melhor Fotografia de Longa-metragem Portuguesa no último IndieLisboa.

À noite, o Doc`s Kingdom exibe, pela primeira vez em Portugal, «He Fengming» (2007), a segunda longa- metragem do jovem realizador chinês Wang Bing.

Neste filme, que estreou na última edição do Festival de Cinema de Cannes, Wang Bing, segundo Nuno Lisboa, «apresenta-nos uma velha senhora chinesa, que, acomodada no sofá da sua sala, face à câmara, narra a história da sua vida, testemunhando uma singular cronologia do último século da história da China».

O cinema de David MacDougall vai «dominar» o penúltimo dia do seminário, sábado, com a exibição de três filmes e duas conversas com o realizador norte-americano, considerado um «antropólogo visual» e «um dos mais importantes realizadores de filmes etnográficos».

Da sua obra, salientou Nuno Lisboa, «destacam-se, essencialmente, títulos realizados com povos semi- nómadas africanos e aborígenes australianos».

O Doc`s Kingdom termina domingo com a sessão «No País do Cinema: à volta dos Primeiros Olhares», uma «viagem» pelos trabalhos desenvolvidos por alunos da escola secundária de Serpa, no âmbito do «Primeiro Olhar», um projecto de iniciação à imagem desenvolvido pela Associação «Os Filhos de Lumière».

A primeira edição do Doc`s Kingdom foi em Outubro de 2000, tendo-se realizado anualmente desde então, excepto em 2004.

À excepção das edições de 2001 e 2003, que incidiram apenas no cinema documental nacional, todos os outros seminários estenderam-se a nível internacional.

Diário Digital / Lusa

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