Skip to content

O Círculo

Empowering Communities

Uma equipa internacional de investigadores conseguiu imunizar ratinhos contra o vírus H5N1 da gripe aviária utilizando anticorpos humanos retirados de sobreviventes infectados, de acordo com um estudo publicado hoje na Public Library of Science (PLoS) Medicine.

Os anticorpos, reproduzidos no Instituto de Investigação de Biomedicina, na Suíça, também aumentaram a taxa de sobrevivência dos animais infectados.

Esta descoberta abre portas ao desenvolvimento de terapêuticas para as vítimas da doença, disse Antonio Lanzavecchia, coordenador do estudo e director do laboratório antiviral daquele instituto.

“Estamos convencidos de que este elemento pode ser reproduzido no homem”, disse o responsável, em entrevista à AFP, acrescentando que os anticorpos “procuram imediatamente imunidade a curto prazo” em ratinhos.

Desde o seu reaparecimento no fim da década de 90, a gripe aviária H5N1 matou 185 pessoas dos 306 casos identificados, a maior parte desde 2003, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Os especialistas temem que o vírus sofra uma mutação facilmente transmissível ao homem.

Os anticorpos agora descobertos foram produzidos em grande quantidade a partir de amostras de sangue de quatro adultos vietnamitas que sobreviveram infectados com o vírus H5N1. A doença foi diagnosticada entre Janeiro de 2004 e Fevereiro de 2005.

Os ratinhos expostos ao vírus H5N1 sem anticorpos morreram em poucos dias. Dos 60 animais infectados com o vírus que circulou em 2004 e que foram submetidos a doses diferentes de anticorpos dos doentes vietnamitas, 58 sobreviveram.

“Se o êxito inicial desta pesquisa for confirmado em laboratório e através de ensaios clínicos, os anticorpos monoclonais humanos podem revelar-se um tratamento terapêutico e profiláctico importante no caso de uma pandemia”, disse Anthony Fauci, director do Instituto Nacional Americano de Alergias e Doenças Infecciosas, onde foi conduzido parte do estudo.

O desenvolvimento de uma vacina contra uma eventual epidemia de gripe das aves tem focado as atenções dos especialistas, que vão estar reunidos em Paris, numa conferência dedicada ao tema.

A vacina poderá dar uma imunidade a longo prazo, talvez permanente, mas demora algumas semanas ou meses a actuar, tornando-se inútil quando uma pessoa está infectada. Em contrapartida, os anticorpos agem imediatamente e são fáceis de reproduzir à escala industrial, mas a protecção pode ser apenas por alguns meses.

As autoridades sanitárias americanas e europeias já permitiram o desenvolvimento de um medicamento à base destes anticorpos. No entanto, serão necessários três a quatro anos até que o remédio entre em circulação.

O tratamento com anticorpos pode ser útil na imunização de médicos e enfermeiros mais expostos à doença no caso de epidemias.

Fonte: Público

Advertisements

%d bloggers like this: