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O Círculo

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Uma em cada oito pessoas infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em Portugal tem mais de 50 anos de idade, uma percentagem que tende a aumentar, revela um estudo coordenado pelos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Os dados do estudo vão ser apresentados no congresso Pandemias na Era da Globalização, que terá lugar esta quinta-feira em Aveiro.

De acordo com os autores do estudo, “os idosos são o grupo etário onde se verifica o maior aumento da incidência” de HIV/Sida nos países desenvolvidos.

Em Portugal ? onde estavam notificados 30.366 casos de infecção por HIV/Sida a 31 de Dezembro do ano passado ?, 12,4 por cento das notificações incluem, desde 1983, pessoas acima dos 50 anos de idade.

Os dados indicam “uma tendência crescente da infecção” na população idosa, “sendo a via sexual a principal forma de contágio”.

“O aparecimento de novos fármacos que promovem uma vida sexual activa contribui largamente para este facto, além de que os idosos pertencem a uma faixa etária muito pouco informada acerca dos perigos de contágio devido à ausência de campanhas de sensibilização que visem uma atitude defensiva, como o uso do preservativo”, lê-se na informação.

Falsa crença de que idosos não têm vida sexual activa

Para o presidente do congresso e director do Departamento de Doenças Infecciosas Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), Meliço-Silvestre, “há uma falsa crença dos clínicos de que os idosos não apresentam uma vida sexual activa e, como tal, que a sida não existe neste grupo etário”.

“Um outro factor preponderante na infecção VIH/Sida nos idosos relaciona-se com outras doenças crónicas próprias do processo de envelhecimento que mascaram os sintomas de sida e que induzem um diagnóstico errado ou inconclusivo”, disse.

Aspectos como “os valores religiosos ou motivados pelo facto de a parceira ter já atingido a menopausa não devem ser ignorados”, afirmou.

Os especialistas alertam ainda para a violência doméstica, que “propicia encontros sexuais anónimos e o recurso à prostituição, o mesmo sucedendo em situação de viuvez”.

Em 2003, o número de casos de sida entre os idosos com mais de 65 anos de idade foi superior ao número de casos de sida na década 1983-1993, pois esta infecção nos idosos não é frequentemente detectada de forma precoce.

Portugal é o país que apresenta a maior taxa de incidência de ambos os vírus (HIV1 e HIV2) na Europa Ocidental.

De acordo com o relatório do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, o total acumulado de casos de sida, em 31 de Dezembro de 2006, era de 13.515, dos quais 449 causados pelo vírus HIV2, e 189 casos que referem infecção associada a ambos os vírus.

Segundo este relatório, “os casos de sida apresentam a confirmação do padrão epidemiológico registado anualmente desde 2000. Verifica-se um aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual e consequente diminuição dos casos associados à toxicodependência”.

Fonte: Público

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