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É um pequeno gene chamado PHA-4, mas tem um papel-chave num dos mecanismos mais misteriosos da vida: o envelhecimento. Um grupo de investigadores norte-americanos descobriu que esse gene controla a duração da vida num pequeno verme chamado C. elegans, quando este é sujeito a uma dieta calórica.

Com uma restrição em 30% de calorias na alimentação habitual, o verme tem uma taxa equivalente de aumento médio de vida. Ou seja, dos seus habituais 20 dias de vida, passa a ter mais seis. A descoberta foi feita por um grupo liderado por Andrew Dillin, do Salk Institute, em San Diego, que há anos trabalha sobre esta questão no C. elegans.

O investigador português Nuno Arantes e Oliveira, que hoje dirige em Portugal a empresa de biotecnologia Alfama mas trabalhou com Dillin nos EUA durante alguns anos – assinaram juntos um importante artigo científico na Science -, considera que este “é mais um passo importante nesta área de investigação”.

Uma das questões-chave desta pesquisa tem a ver com o facto de este gene PHA-4 ter três genes correspondentes, ou homólogos, nos mamíferos e, nomeadamente, nos seres humanos. “Isto permite antever uma via de pesquisa futura nessa direcção”, explica Nuno Arantes e Oliveira, sublinhando, no entanto, que “o facto de serem três genes torna tudo muito mais complexo”. Resta, aliás, saber, se nos seres humanos esses genes cumprem funções idênticas, e como. Seguramente, isto dará ainda “para muitos anos de trabalho”, sublinha o investigador português.

Outra questão essencial tem a ver, aliás, com o trabalho desenvolvido anteriormente por Dillin, no qual Arantes e Oliveira também participou, quando demonstraram que o receptor da insulina está envolvido neste mecanismo da longevidade. Por outro lado, sabia-se empiricamente que uma alimentação com restrições calóricas também interfere – prolongando-a – com a duração da vida. Mas como estas duas vias estão exactamente ligadas é um mistério. A descoberta deste gene pode ser o primeiro passo para perceber também essa interligação e para abrir a porta a um novo conhecimento – e útil no futuro – sobre esta questão.

Fonte: DN

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