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A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) detectou nos últimos seis meses quase dois mil bovinos sujeitos a engorda rápida com produtos tóxicos para os humanos, anunciou hoje o presidente daquele organismo do Ministério da Economia e Inovação.

Em conferência de imprensa de balanço da operação “Beta Furacão”, António Nunes afirmou que de mais de nove mil animais analisados em explorações ou matadouros entre o Mondego e o Sado, 1861 foram apreendidos por revelarem utilização de betagonistas.

Estes fármacos, explicou, são utilizados em doses superiores ao permitido por lei para engordar os animais mais depressa, através do aumento da massa muscular, e resultam numa carne com pouca gordura e que diminui bastante de tamanho depois de cozinhada.

O consumo de carne com doses elevadas de resíduos betagonistas pode provocar intoxicações agudas, com sintomas como tremores, palpitações, náuseas e diarreia e a acumulação dos resíduos pode ter efeitos carcinogénicos.

Em Portugal já foram detectados quatro casos de intoxicação, que afectaram 50 pessoas no total, segundo os dados da ASAE. Entre as pessoas mais vulneráveis a intoxicações estão os doentes de asma e hipertensos, que já tomam medicamentos da ordem dos betagonistas como broncodilatadores.

O medicamento Clembuterol, um betagonista, só pode ser utilizado em pecuária para inibição de partos prematuros e todas as aplicações têm de ser registadas pelo médico veterinário que as faça.

No entanto, alguns proprietários de explorações bovinas usam os medicamentos para conseguir vacas que num ano chegam a pesar 400 quilos quando o seu peso normal para a idade é de 250 quilos.

ASAE instaura oito processos-crime

A operação que a ASAE hoje concluiu foi decidida a partir de uma investigação feita em Junho do ano passado que detectou o uso de betagonistas a uma escala que exigiu uma investigação maior, disse António Nunes.

Além dos bovinos apreendidos, com o valor comercial de 1,2 milhões de euros, a ASAE instaurou oito processos-crime e quatro processos de contra-ordenação, suspendeu duas fábricas, apreendeu mais de quatro mil quilos de aditivos alimentares e 50 embalagens de medicamentos.

Ao todo foram fiscalizadas 22 explorações e nove matadouros, visando 110 produtores.

Segundo o vice-presidente da ASAE, Jorge Reis, os produtores que utilizem betagonistas estão a praticar “um crime económico e um crime contra a saúde pública”.

Para reunir provas, os fiscais da ASAE recolheram amostras de pêlo, rações, urina, água de bebedouros e partes de animais como fígado e retinas. As amostras positivas foram entregues aos Ministérios Públicos das comarcas onde foram encontradas.

A prática de engorda rápida com betagonistas viola três leis: perigo relativo a animais ou vegetais, punível com pena até dois anos de prisão ou multa, corrupção de substâncias alimentares ou medicinais, sujeito a pena de prisão de um a oito anos, e proibição de substâncias betagonistas, com contra-ordenação que pode ir de 500 euros a 44.890 euros.

Na operação “Beta-Furacão” estiveram envolvidos 194 fiscais da ASAE, que trabalharam 5800 horas em fiscalização que decorreu entre Fevereiro e Março, numa primeira fase, e de dia 11 de Abril até hoje, na segunda.

In Público.pt

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