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O Círculo

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apelou hoje à comunidade internacional para que tome uma atitude urgente para evitar uma catástrofe humanitária na República Centro-Africana. Para responder às necessidades básicas das crianças no país, o organismo pediu uma ajuda de 5,37 milhões de dólares (cerca de quatro milhões de euros).

O representante da Unicef no país africano, Mahimbo Mdoe, disse hoje em Genebra, Suíça, que “a situação na República Centro-Africana é crítica” e alertou para “o desastre humanitário que se vive no país”.

De acordo com Mdoe, os fundos pedidos à comunidade internacional “vão servir para melhorar a assistência sanitária e combater a desnutrição infantil – que afecta 40 por cento da população – o recrutamento de crianças soldados e o abuso de mulheres”.

A República Centro-Africana é um dos países africanos com maiores índices de mortalidade entre menores de cinco anos e mulheres, estimando-se que cada semana morram perto de 420 crianças nos confrontos entre as forças governamentais e os grupos rebeldes.

De acordo com a Unicef, apenas 39 por cento da população tem acesso a água potável e só uma pessoa em cada quatro tem acesso a assistência sanitária.

A situação no Norte do país, que há mais de uma década vive submergido num conflito que afecta mais de um milhão de pessoas – entre as quais cerca de 750 mil crianças e mulheres – levou à deslocação interna de mais de 212 mil pessoas e provocou cerca de 70 mil refugiados.

“A situação interna do país encontra-se marcada pela instabilidade política e é ainda agravada pelos conflitos que ocorrem à volta das fronteiras do país, nomeadamente no Sudão, Chade e na Republica Democrática do Congo”, disse o representante da Unicef.

Mdoe adiantou ainda que, do total dos fundos pedidos para este ano (11,7 milhões de euros), o organismo das Nações Unidas “apenas recebeu 22 por cento” e solicitou com urgência 5,3 milhões de dólares para que a Unicef seja “capaz de responder às necessidades no país”. “Para a maioria da comunidade internacional, o conflito da República Centro-Africana nunca existiu”, sustentou.

Mdoe disse ainda que a maioria dos donativos efectuados se destinam ao abastecimento de comida e cuidados sanitários, mas lamentou o facto de a comunidade internacional “não investir praticamente nada em programas educativos para combater o recrutamento de crianças soldados ou controlar a epidemia do VIH/Sida entre as mulheres, que já provocou 140 mil órfãos no país”.

A Unicef calcula que nos últimos três anos cerca de mil crianças tenham sido recrutadas para combater com os grupos rebeldes e que um número ainda maior tenha acesso a armas de fogo. De acordo com Mdoe, na maioria dos casos é a própria família a que proporciona o armamento e a munição às crianças para que estas colaborem na protecção da comunidade.

O mesmo responsável afirmou que 49 por cento dos menores do país não têm acesso a qualquer tipo de educação e lembrou que esta percentagem é ainda maior nas regiões de conflito no norte do país.

Fonte: Público

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