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António Ramos Rosa recebeu hoje, pelo seu livro “Génese”, o Grande Prémio de Poesia APE/CTT 2005, que classificou como “um dos prémios mais valiosos” com que foi distinguida a sua obra.

“O poeta é aquele que sacrifica tudo pela sua obra”, declarou, citando Karl Marx, para logo acrescentar que a poesia “não é uma proclamação e não é propriamente uma demonstração (…) – um poema não demonstra nada”, mas que “a poeticidade não é secundária”. “É ‘dar a ver’ qualquer coisa, como dizem os franceses”, defendeu. Esta foi a segunda vez que o poeta recebeu este galardão. A primeira foi em 1989, ano em que foi criado, pela recolha “Acordes”.

O prémio, no valor de cinco mil euros, foi criado pela Associação Portuguesa de Escritores e é patrocinado pelos Correios de Portugal, para distinguir, anualmente, um livro de um autor português publicado integralmente e em primeira edição no ano a que respeita o concurso, não sendo admitidas obras póstumas.

O galardão foi atribuído a Ramos Rosa por unanimidade de um júri composto por Ana Gabriela Macedo, Ana Paula Arnaut e Manuel Gusmão. Este destacou “a generosidade de António Ramos Rosa e a confiança que ele deposita na palavra”. “O poeta Ramos Rosa é uma árvore que dá poemas como quem dá frutos”, sublinhou.

António Ramos Rosa, de 82 anos, um dos nomes maiores da poesia portuguesa contemporânea, é natural de Faro e autor de obras como “O Incêndio dos Aspectos”, “Volante Verde”, “O Ciclo do Cavalo”, “Acordes” (1989, Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores) e “As Armas Imprecisas” (1992). Da sua obra ensaística, destacam-se “Poesia, Liberdade Livre” (1962), “A Poesia Moderna e a Interrogação do Real” (1979), “Incisões Oblíquas” (1987), “A Parede Azul” (1991) e “As Palavras” (2001).

O seu livro “Génese” fora já anteriormente distinguido, em Portugal, com dois outros importantes galardões literários: o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava e o Prémio PEN Clube de Poesia, ambos referentes a obras publicadas em 2005.

Fonte: Público

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