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O Círculo

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São mares imensos, mas não têm água, nem épocas balneares, porque lá longe, a mais de 1,2 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, faz muito, muito frio – algo como uns inimagináveis 180 graus Celsius negativos. Mesmo assim, a descoberta destes oceanos na superfície de Titã, a maior das luas de Saturno, e a segunda em dimensão do sistema solar, está a entusiasmar os cientistas.

Estes mares – um deles tem cem mil quilómetros quadrados e é maior do que o “nosso” Mar Negro – são feitos de hidrocarbonos, e talvez de metano também. E poderão ser a solução para um dos grandes enigmas que envolvem Titã, a sua densa atmosfera cor-de-laranja, confirmando assim uma teoria velha de um quarto de século.

A descoberta dos oceanos, ontem anunciada, resultou de medições feitas com o radar da sonda Cassini, da NASA. Esta nave está desde 2004 na órbita de Saturno e conta já no seu currículo – e em parceria com a pequena sonda europeia Huygens, que há dois anos desceu na superfície de Titã -, com algumas descobertas importantes sobre o planeta dos anéis e as suas dezenas de luas.

Mas porque nunca tinham sido vistos antes estes oceanos, se a sonda anda por lá há mais de dois anos? É simples. A Cassini não está sempre próxima de Titã e, de cada vez que sua órbita se aproxima dela, não consegue tirar medidas à lua inteira, mas apenas a porções dela. No ano passado, já tinham sido detectados ali pequenos lagos de metano, mas isso não chegava para explicar uma atmosfera feita de metano tão densa como é a de Titã. Da última vez que a nave passou junto àquela lua, o radar foi apontado a norte, junto ao pólo e, finalmente, os cientistas acertaram na mouche.

A composição dos oceanos é que não tem nada a ver com aquilo que estamos a habituados ver na Terra. Não há ali extensões líquidas de água. Provavelmente os mares agora encontrados têm uma superfície mole feita de hidrocarbonos e de metano gelado, componentes que juntamente com outros que também ali existem são essenciais à “fabricação” da vida.

E se ninguém coloca seriamente a hipótese de existir vida tão longe do Sol, pelo menos o processo através do qual aquela atmosfera é constantemente alimentada de metano, para formar as espessas camadas de nuvens que a compõem, fica agora finalmente mais clara: os gases são emitidos para a atmosfera e a fonte são os imensos oceanos agora descobertos. Determinar o conteúdo exacto das bacias oceânicas é agora o próximo passo.

Fonte: DN

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