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O Círculo

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As tendências actuais para o desenvolvimento de robôs de serviço, também chamados “companheiros”, antecipam a necessidade de regulamentação das suas interacções com os humanos, disse hoje uma investigadora portuguesa em robótica.

A professora Maria Isabel Ribeiro, directora do Instituto de Sistemas e Robótica do IST, de Lisboa, falava à agência Lusa sobre uma “Carta Ética dos Robôs” que está a ser elaborada na Coreia do Sul para estabelecer balizas e linhas de conduta nos papéis e funções dos robôs na actividade humana.
Esse código, inspirado nas leis estabelecidas nos anos 40 pelo escritor de ficção científica norte-americano Isaac Asimov, terá por base um “roteiro” europeu sobre a mesma matéria, a divulgar em Abril, em Roma, pela Rede Europeia de investigação em Robótica (EURON), de que Portugal faz parte desde a sua fundação em 2000.

A EURON é uma rede de excelência promovida pela União Europeia para juntar e dar visibilidade à comunidade robótica europeia, como contraponto às suas congéneres nos Estados Unidos e Ásia.

Segundo Maria Isabel Ribeiro, que tem acompanhado a discussão em torno desse “roteiro” europeu, trata-se de garantir o controlo do homem sobre os robôs e prever as implicações sociais dessa interacção social, além de impedir a sua utilização clandestina e como armamento de ataque, proteger os dados neles contidos e estabelecer a sua identificação e seguimento.

“É muito importante saber de que maneira é que o convívio humano pode ser afectado pela interacção entre pessoas e robôs, ao ponto, por exemplo, de um idoso poder achar que o seu robô de companhia é melhor que um irmão ou um filho”, observou.

Num país como o Japão, preocupado há vários anos com o acelerado envelhecimento da população, existem robôs de companhia para lares de idosos, com a forma de pequenas focas, que facilitam as relações humanas e substituem com vantagem os animais domésticos – assinalou a investigadora.

“Não têm de ser alimentados, não têm alergias, não têm de ser levados à rua” e, em situações em que os idosos não convivem entre si, a presença desse “animal”, em que se pode tocar, estimula as relações entre as pessoas, explicou.

Quanto ao horizonte temporal para uma previsível massificação desta robótica de serviços, hoje dificultada pelos elevados custos de desenvolvimento que implica, Maria Isabel Ribeiro lembrou que há 20 ou 30 anos não havia Internet e os computadores eram muito caros, sendo hoje banais, e há cinco anos “ninguém pensava ter GPS no carro e sistemas de apoio à navegação”.

Para Vítor Santos, do Grupo de Automatação e Robótica da Universidade de Aveiro, também membro do EURON, a questão da interacção emocional entre robôs e humanos não se colocará a curto prazo, porque a indústria dos robôs de serviço ainda é muito incipiente.

“Estamos a um passo relativamente longo dessa realidade”, ao contrário do que se passa ao nível da indústria, onde se podem claramente colocar problemas éticos na substituição da mão-de-obra por robôs – afirmou à Lusa.

Mas o certo é que a aposta de países como os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, e mesmo de alguns países europeus, no desenvolvimento de robôs de companhia implicará, a prazo, a regulação ética do seu uso.

Fonte: Público.pt

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