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O Círculo

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Se é intolerante à lactose, ou pelo menos não se sente bem após beber um copo de leite, e pensa que a sua condição é anormal, não podia estar mais enganado.

O normal é não nos darmos bem com o leite de vaca. E essa característica já nos acompanha há uns milhares de anos, pelo menos desde o período Neolítico, diz um grupo de investigadores na última edição da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

O estudo de vestígios de humanos do período Neolítico na Europa levaram os cientistas do University College de Londres e da Universidade de Mainz, na Alemanha, a concluir que, àquela época — que acabou há seis mil anos — era generalizada a intolerância ao leite de vaca e que o gene responsável por desmanchar as moléculas da lactose mais duras para o nosso estômago é um bom exemplo da evolução genética em acção. “É talvez o aspecto da evolução genética que mais vantagem teve para os humanos nos últimos 30 mil anos”, defende Mark Thomas, coordenador da equipa.

A equipa constatou que no ADN de esqueletos de humanos do Neolítico não se verificava a presença do gene necessário para a digestão do leite na perfeição. Esse gene activa a produção de uma enzima, a lactase, que parte, ou simplifica, as cadeias da lactose (um açucar do leite, uma das principais moléculas constantes na sua composição).

Sem a presença da lactose, beber um simples copo de leite pode ser uma experiência muito desconfortável, que se traduz normalmente em vómitos, contracções do estômago muito dolorosas e até diarreia.

Para a equipa, o dado mais interessante do estudo tem a ver com o facto de ficar aqui definido que a tolerância à lactose é algo conquistado pelo homem há menos tempo do que se pensava, talvez quando os humanos se estabeleceram e começaram a criar gado, numa estrutura parecida com as actuais quintas. Nessa altura o consumo do leite de animais saudáveis seria mais vantajoso uma vez que era um elemento menos exposto à contaminação do que a água. Terá sido então que os humanos tolerantes à lactose começaram a ser predominantes, por uma questão de selecção natural.

Actualmente aqueles que evoluíram geneticamente e conseguem experimentar os benefícios da lactose, ou seja, beber um bom copo de leite sem sofrer, representam 90 por cento das pessoas, diz o estudo.

In Público.

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