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O Círculo

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A carnificina dos elefantes africanos, efectuada pelos caçadores furtivos para obterem presas e alimentar uma procura em ascensão do marfim, sobretudo na China, ameaça este animal em vias de extinção, indica um estudo de peritos americanos, publicado segunda- feira.

«O problema é de uma gravidade tal que estes paquidermes podem estar em vias de extinção, caso os países ocidentais não reiterem os seus esforços para que seja aplicada a convenção de 1989 que quase permitiu pôr fim ao mercado negro de marfim quatro anos após a sua entrada em vigor», afirma Samuel Wasser, director do centro de preservação das espécies da Universidade do Estado de Washington e principal autor do estudo.

A tonelagem de marfim de contrabando apreendida em 2006 faz pensar que «o abate de elefantes atingiu um ritmo sem precedentes desde a entrada em vigor desta convenção», afirma Wasser no seu estudo publicado nos Anais da Academia nacional americana de Ciências.

Para o ano terminado em Agosto de 2006, as autoridades interceptaram perto de 24 toneladas de marfim de contrabando. No entanto, na medida em que se estima que apenas 10 por cento seja apreendida, a tonelagem é provavelmente de 234 toneladas, revela o investigador.

Para um tal volume de marfim, mais de 23.000 elefantes terão sido abatidos, o que representa cerca de cinco por cento da população destes animais em África.

A intensificação da carnificina dos elefantes africanos explica-se sobretudo pelo crescimento da economia chinesa que alimenta uma forte procura de marfim de contrabando, o que faz com que os preços subam em flecha e atrai o crime organizado, explicam os autores do estudo.

Em 1989, o marfim de alta qualidade vendia-se por 100 dólares ao quilo no mercado negro (cerca de 75 euros). O preço duplicou em 15 anos e atingiu os 200 dólares (cerca de 151 euros) em 2004. Desde então os preços têm aumentado e em 2006 um quilo de marfim era vendido por 750 dólares (cerca de 570 euros).

«Se a máfia for responsável por este aumento dos preços, a única maneira de colocar um ponto final neste tipo de comércio é impedir que o marfim entre no mercado negro internacional«, considera Wasser.

Wasser e os seus colegas da Universidade do Estado de Washington trabalham em colaboração com outros peritos no mundo e com a Interpol, a organização de polícia internacional, para encontrar os caçadores furtivos.

Ao longo dos anos, Wasser e os seus colegas estabeleceram um ficheiro genético de uma variedade de populações de elefantes africanos que permite identificar a origem de presas apreendidas e de concentrar os esforços nas regiões de África onde as carnificinas são mais activas.

Em Junho de 2002, as autoridades de Singapura apreenderam um contentor proveniente do Malawi com cerca de 6,5 toneladas de marfim de contrabando com destino ao mercado de Extremo Oriente. Foi a segunda maior apreensão desde a entrada em vigor da convenção.

As análises efectuadas em 67 presas, de 532 apreendidas, revelaram que pertenciam a elefantes da savana africana, e provavelmente de uma região da Zâmbia.

Os serviços de controlo e a polícia conseguiram assim identificar um grande número de caçadores furtivos responsáveis, mas até hoje nenhum foi julgado, lastimam os autores do estudo.

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