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O Círculo

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No dia em que os fiscais da EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa) passam a poder autuar e rebocar carros estacionados em cima dos passeios ou parados em segunda fila, o JN ouviu a vereadora da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa sobre as políticas que tem levado a cabo no âmbito do ordenamento do trânsito na capital.

Aumentar a fluidez da circulação rodoviária e reduzir o número de veículos em excesso de velocidade são dois dos principais objectivos de Marina Ferreira, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa responsável pelo pelouro da Mobilidade. Para isso, mandou instalar 21 radares de controlo de velocidade e rebocar os veículos em segunda fila.

Jornal de Notícias|Hoje, os fiscais da EMEL começam a rebocar os veículos estacionados em segunda fila. Que impacto terá esta medida na cidade?

Marina Ferreira|Temos tido uma política de mobilidade que visa diminuir o número de automóveis e, ao mesmo tempo, aumentar a fluidez do trânsito. Se articularmos os radares de controlo de velocidade com o aumento do estacionamento e o combate à segunda fila, o trânsito fluirá melhor e a velocidades mais lentas, ou seja, mais seguras. O estacionamento em segunda fila é um dos grandes condicionamentos à circulação, juntamente com as obras.De que forma será feito esse controlo?

Constatada a contra-ordenação, os fiscais da EMEL remetem o processo para a Direcção-Geral de Viação. O automobilista é autuado e o veículo automaticamente rebocado. Para isso, contratámos 50 novos agentes e quatro novos carros de reboque com auxiliar.Com o aumento do preço dos parquímetros, em Janeiro, cresceram os casos de estacionamento irregular?

Não. Essas situações agravaram-se com o aumento de carros na cidade. O estacionamento em segunda fila e nos passeios aumentou significativamente com a percepção das pessoas de que podiam fazer tudo na cidade. Cada vez que um abusa, há muitos que são penalizados. Nomeadamente, os transportes públicos e as pessoas que circulam nos passeios com os carrinhos de compras ou de bebés.

O problema da circulação dos transportes públicos não se prende mais com os corredores bus?

Não há problemas de fluidez de autocarros por falta de corredores bus. Estes problemas prendem-se com o facto de os autocarros estarem todos em fila, atrás uns dos outros, nas paragens. Ter muitas carreiras na mesma paragem, por exemplo, dificulta muito a fluidez. Significa isso que a Câmara não prevê a criação de novos corredores bus?

Estamos a tentar criar pequenos corredores, por exemplo, na Rua Alexandre Herculano e na Estrada de Benfica.E os corredores bus intermitentes?

Tiveram excelentes resultados e permitiram ganhos de velocidade de circulação dos autocarros na casa dos 40%. Estamos a ver se conseguimos financiamento, juntamente com a Carris, para alargar o conceito a outros corredores.

No final do ano passado, foram instalados 21 radares de controlo de velocidade em Lisboa. Que balanço faz?

O balanço que fazemos é ainda limitado, mas verifica-se que há muito menos veículos em excesso de velocidade alarmante, embora continue a haver pessoas que, pura e simplesmente, não deveriam ser autorizadas a conduzir. Em Lisboa, conduz-se muito depressa. Uma vez detectada a infracção, os dados são automaticamente enviados para as instalações da Polícia Municipal (PM). Não significa isto mais trabalho para o pessoal da PM, tendo em conta que o quadro orgânico é bastante deficitário?

Mas é um melhor serviço para os lisboetas e a PM está ao serviço dos lisboetas. Acho que estão bastante entusiasmados com estas novas funções. Todas as pessoas gostam de trabalhar e de ter trabalho para fazer.

Um dos projectos que também foi anunciado para combater o excesso de velocidade foi o da criação de zonas de velocidade limitada. Em que fase se encontra?

Ainda está em estudo. Estamos a seleccionar zonas-piloto, mas ainda não temos nada de muito concreto. Gostaria que este ano o projecto avançasse em uma ou duas zonas-piloto.

Como está o projecto “Lisboa porta a porta”??

As juntas de freguesia que têm o “Lisboa porta a porta” estão satisfeitas. Outras gostariam de o ter. Neste momento, não tenho qualquer projecto para o “Lisboa porta a porta”.O projecto parou?

O que existe está a funcionar dentro do que é possível, mas também não temos novos projectos, porque são muito dispendiosos. E toda a gente sabe que temos grandes constrangimentos financeiros na Câmara.

Situação absurda

A Autoridade Metropolitana de Transportes (AMT) está parada. Um organismo destes tem razão de ser?

Em Portugal, vivemos uma coisa um bocadinho absurda há competências que são das autarquias e há competências que são da administração central. Esse é um dos grandes problemas da AMT, que depende da administração central porque os transportes dependem da administração central. Por que é que tem que ser assim? Defendo que, em primeiro lugar, se assuma que a responsabilidade dos transportes deve ser das autarquias. Depois, têm que ser definidos o modelo de financiamento dos transportes e o modelo do serviço público e só depois que seja criada a AMT. Recuso terminantemente um modelo de AMT em que se entenda que os municípios sejam chefes de departamento do Estado. Se assim é, mantenham as direcções-gerais. Nós não somos eleitos para isso.

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