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O Círculo

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A proposta de adesão de Portugal ao Tratado da Antárctida, apresentada pelo Partido Ecologista “Os Verdes”, foi discutida na Assembleia da República na passada sexta-feira e deverá ser votada brevemente. Será o primeiro avanço político que reconhece a mobilização dos cientistas portugueses que trabalham nas regiões polares, em preparação para a comemoração do quarto Ano Polar Internacional, que começa a 1 de Março.

Pela primeira vez, estes cientistas reuniram-se para propor ao Governo um programa que crie a “marca” da ciência polar portuguesa, até agora diluída nos projectos de investigação da comunidade internacional.

A oportunidade para a mudança surgiu com o Ano Polar Internacional, uma iniciativa preparada por 50 mil cientistas de 60 países que só terminará a 1 de Março de 2009.

A história da ciência polar portuguesa não é recente. Na verdade, tem 30 anos. Mas os seus protagonistas, aqueles que escolheram dedicar-se aos gelos, atmosfera e animais árcticos e antárcticos, não se têm cruzado com os que falam a sua língua.

Ainda há cerca de ano e meio, os investigadores portugueses que se dedicam às regiões brancas quase não se conheciam. Nem sabiam da existência uns dos outros. Era um trabalho isolado, integrado em programas de países como o Brasil, Bulgária, Espanha ou Estados Unidos.

Mas hoje, numa sala do Centro de Estudos Geográficos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Gonçalo Vieira, cientista polar desde 1999, sabe quais são os colegas que estão “lá em baixo” ou “lá em cima”. Nos pólos, entenda-se.

Este investigador, que há um ano estava no frio antárctico a montar uma rede de monitorização, conta que Portugal tinha de participar na iniciativa internacional, coordenada pelo Conselho Internacional para a Ciência e Organização Meteorológica Mundial.

O primeiro passo foi dado em Julho de 2004, num encontro do SCAR (Scientific Committee on Antarctic Research), do qual Portugal passaria a fazer parte em Julho de 2006. Depois aconteceram os primeiros contactos entre colegas.

Em Março de 2006, foi reconhecido pelo Ministério da Ciência o Comité Português para o Ano Polar Internacional.

Hoje, o grupo de trabalho conta com 20 nomes, espalhados por Lisboa, Évora, Coimbra, Faro, Porto e Açores.

Mais do que os três seus antecessores – em 1882-83, 1932-33 e 1957-58 –, o Ano Polar Internacional de 2007 poderá fazer a diferença para a ciência portuguesa.

“Gostávamos que esta investigação perdurasse além do Ano Polar Internacional e fosse assumida pelo Governo”, diz Gonçalo Vieira, contacto nacional para o evento. Para isso, o comité está a elaborar uma proposta de Programa Polar para apresentar ao Ministério da Ciência. “A ideia é dar mais solidez à investigação”, explica.

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