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Um implante na retina capaz de ajudar a restaurar a visão em milhões de cegos poderá estar disponível ao público dentro de dois anos, anunciaram esta sexta-feira os investigadores norte-americanos responsáveis pela descoberta. Trata-se de um pequeno implante eléctrico na retina ligado a uma câmara acoplada aos óculos e oferece uma nova esperança a milhões de pessoas que foram perdendo a visão devido à degenerescência macular relacionada com a idade, a principal causa de cegueira no mundo ocidental, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Jorge Breda.

Este responsável manifestou-se optimista com a notícia, que considerou «um grande avanço, na sequência de outros avanços» que têm sido alcançados.

Jorge Breda acrescentou tratar-se de «um primeiro passo num longo processo» e estimou que o prazo de dois anos avançado pelos responsáveis seja «um pouco curto».

Uma primeira geração do implante já foi sujeito a um ensaio clínico em seis doentes com retinite pigmentosa, uma doença hereditária para a qual até agora não havia tratamento, e os investigadores já receberam autorização da agência norte-americana que regulamenta os medicamentos para fazer testes clínicos de uma segunda versão em 50 a 75 doentes.

Se a investigação correr como previsto, os responsáveis contam ter um aparelho disponível no mercado no início de 2009 por um preço aproximado de 15 mil dólares (11,4 mil euros).

Cerca de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de retinite pigmentosa, e um em cada dez adultos com mais de 55 anos sofre de degenerescência macular relacionada com a idade.

Ambas as doenças provocam a morte gradual das células da retina que processam a luz e a retina artificial permite substituir as células fotoreceptoras destruídas por pequenos eléctrodos, que são implantados na retina.

Uma câmara capta as imagens e uma unidade com o tamanho de um pequeno computador manual que pode colocar-se no cinto converte a informação visual em sinais eléctricos.

Estes sinais são depois enviados para os óculos e, através de tecnologia sem fios, para um receptor sob a superfície do olho, que por sua vez os transmite aos eléctrodos na retina.

Todo este processo ocorre em tempo real.

No primeiro ensaio clínico, os cientistas constataram que os doentes «conseguiam detectar a luz ou mesmo distinguir objectos como uma chávena ou um prato», explicou Mark Humayun, do instituto dos olhos e da escola de medicina da Universidade da Califórnia do Sul, em conferência de imprensa.

A primeira geração do implante contém 16 eléctrodos, enquanto a segunda tem 60 e tem um quarto do tamanho da sua antecessora, o que permite uma intervenção cirúrgica mais limitada.

Este implante pertence a uma nova geração de próteses «inteligentes» ligadas ao sistema nervoso para restabelecer o contacto com o cérebro e restaurar o uso de um órgão ou um membro destruído pela doença ou um acidente, explicou ainda Mark Humayun.

Próteses criadas segundo o mesmo princípio de estimulação eléctrica são largamente utilizadas para recuperar a audição.

Em Portugal, segundo os dados divulgados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística nos Censos 2001, existem cerca de 163 mil pessoas deficientes visuais (cegos e amblíopes).

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