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O Círculo

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Coordenadora de projecto europeu fala em “riscos” elevados para as crianças.

 
 
Para Sonia Livingstone os pais em Portugal não têm a noção dos riscos que correm os filhos sempre que acedem à Internet.

Os pais em Portugal têm pouca percepção dos riscos da Internet para as crianças e os jovens, devido à falta de debate público sobre estas questões, alertou a coordenadora de um projecto europeu sobre segurança on-line.

“O debate público sobre o uso seguro da Internet ainda não aconteceu em Portugal, pelo que os pais ainda não se aperceberam dos riscos aos quais os seus filhos podem estar expostos”, disse à agência Lusa Sonia Livingstone, coordenadora do “EU Kids Online”, projecto comunitário que visa criar um guia de recomendações sobre a segurança das crianças e jovens no uso da Net.

A responsável explicou que entre os maiores riscos a que as crianças se expõem na Internet estão os contactos de pedófilos com menores através de chats (salas de conversação on-line) e o acesso não solicitado a sites inadequados para a idade, com conteúdos pornográficos, racistas ou de violência extrema.

Por outro lado, sublinhou, as crianças e jovens – hoje mais adaptadas que os seus pais a comunicar através da Net – têm menos consciência de quando estão a fornecer informação pessoal a estranhos.

Como forma de sensibilizar as pessoas para estes riscos a Comissão Euro peia decidiu assinalar o dia 06 de Fevereiro, terça-feira, como o “Dia Europeu para uma Internet mais Segura”.

Sonia Livingstone revelou ainda que Portugal é um dos três países europeus (os outros dois são o Reino Unido e a Polónia) onde – no âmbito do “EU Kids Online” – vai ser feito o primeiro estudo comparativo da “exposição das crianças aos riscos da Internet”.

“São países que se encontram na orla da Europa e que se distinguem dos restantes, na dimensão do risco no uso da Internet, no tempo de utilização deste meio e também na matriz cultural e religiosa”, sublinhou.

“Vamos analisar a exposição das crianças aos riscos e contextualizá-los segundo as tendências culturais e económicas, bem como segundo outros factores específicos de cada país, de forma a podermos explicar porque é que a percepção de risco difere de país a país”, acrescentou.

Segundo Sonia Livingstone, os resultados desta comparação – que servirá para testar a metodologia – serão apresentados em Junho deste ano, enquanto que os resultados dos restantes 15 países envolvidos no projecto serão apresentados em Junho de 2008.

O “EU Kids Online”, integrado no plano de acção europeu “Safer Internet Plus”, será a primeira comparação sistemática na Europa de investigações e estudos sobre as experiências de crianças e jovens na Internet e outras tecnologias on-line.

Sónia Livingstone disse que o objectivo “é identificar e comparar os vários trabalhos de investigação, de forma a criar um guia de recomendações para a segurança das crianças no uso da Internet, que melhorem a instrução dos utilizadores e criem uma consciência de risco adequada”.

Questionada pela Lusa sobre a influência que os factores culturais e sociais têm no uso da Internet e nas diferentes percepções de risco, Sonia Livingstone disse que em causa está “sobretudo o acompanhamento dos filhos por parte dos pais, e onsequentemente na liberdade que estes dão aos seus filhos”.

Segundo a investigadora, no Reino Unido e na Polónia este tema está a ser alvo de debates actuais, com os pais a queixarem-se de falta de apoio e de não receberem orientações para lidar com estas questões.
“O caso de Portugal é completamente diferente porque não têm existido debates públicos sobre os riscos da Internet e não há qualquer cultura de segurança na utilização dos novos meios, o que impede que a maioria dos encarregados de educação se apercebam dos riscos aos quais os seus filhos podem estar expostos” , sublinhou.

Em Portugal, de acordo com o Eurobarómetro de Maio de 2006, que auscultou pais de menores de 18 anos, 53 por cento dos inquiridos não aplicavam quaisquer regras de segurança, colocando o país na 23ª posição entre os 25 países da UE .

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