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A presidente da Experimenta Design – Bienal de Lisboa, Guta Moura Guedes, responsabilizou hoje a Câmara de Lisboa pela inviabilização do evento, alegando que a autarquia faltou aos compromissos financeiros assumidos.

O evento deveria decorrer entre 12 de Setembro e 4 de Novembro deste ano, em Lisboa, mas não irá realizar-se por a Câmara de Lisboa, “de forma inesperada”, ter informado a organização de que não iria atribuir a verba de 500 mil euros, explicou Guta Moura Guedes.

A Bienal, cuja primeira edição se realizou em 1999, tinha um orçamento previsto de 2,6 milhões de euros, apoiado em 45 por cento pela autarquia de Lisboa e pelo Ministério da Cultura.

Numa conferência de imprensa hoje realizada em Lisboa, Guta Moura Guedes disse aos jornalistas ter sido confrontada nove meses antes da realização do evento com uma “decisão unilateral” da Câmara de Lisboa de não o apoiar financeiramente. “No primeiro contacto com o professor Carmona Rodrigues tinha sido feita uma promessa muito clara de continuar a apoiar a Exprimenta Design, e inclusivamente com protocolos programados para edições seguintes”, recordou a responsável, reportando-se a Dezembro de 2005.

Na sequência desse contacto, foi desencadeado todo o processo de realização do evento, com a criação de uma equipa e a celebração de acordos com parceiros nacionais e internacionais.

Depois de “uma cronologia kafkiana, com várias tentativas para sermos recebidos e informações de diminuição gradual do apoio, acabámos por ser informados de que a câmara não teria qualquer contribuição financeira disponível por motivos de conveniência e de oportunidade – e num contexto de contenção orçamental”, afirmou. “Ficámos chocados e ainda não conseguimos perceber bem as razões, mas o mais grave é que toda a organização já tinha sido colocada em marcha e o projecto estava já programado”, criticou.

“O professor Carmona Rodrigues tem todo o direito e o dever de estabelecer as suas prioridades políticas, o que é legítimo, mas não nos deu hipótese de recuo, de tentar criar uma alternativa, e teríamos podido fazer isso”, disse.

Guta Moura Guedes excluiu, porém, que tenham estado por detrás da decisão do presidente da câmara quaisquer motivos de perseguição pessoal.

A Experimenta Design assinou recentemente um protocolo com o Ministério da Cultura, o outro parceiro oficial do evento, no valor de 200 mil euros e esperava assinar um semelhante com a autarquia no valor de 500 mil euros, já com menos 150 mil euros da verba inicialmente acordada. “Sem este montante é impossível realizar o projecto”, concluiu, para adiantar que as consequências do cancelamento “serão devastadoras” e que irá “responsabilizar a Câmara de Lisboa por todos os danos causados através dos meios disponíveis na Lei portuguesa”, nesse sentido, tendo solicitado ao advogado José António Pinto Ribeiro que avalie as condições para avançar com um processo contra a autarquia.

Experimenta Design pode deixar Lisboa

Mário Carneiro, vice-presidente da Experimenta Design, comentou, por sua vez, que é muito difícil avaliar os prejuízos, mas que, “no imediato, ascendem já ao valor do apoio que era esperado da câmara”.

A organização coloca de parte a realização do evento em 2007 “mesmo que a Câmara de Lisboa volte atrás no que disse”, garantiu Guta Moura Guedes. Também colocam a hipótese de realizar o evento noutra cidade europeia, “se para isso existirem condições, em 2008, porque já existem propostas para alternar Lisboa com outras capitais como palco da bienal”, avançou.

“Lamentamos que este projecto tenha sido assassinado pela câmara porque foi feito um investimento ao longo de quatro edições, entre 1998 e 2006, que posicionou a capital portuguesa e Portugal no circuito internacional dos grandes eventos culturais”, salientou.

Guta Moura Guedes, mentora do projecto, considerou “inacreditável a forma como a autarquia deixou cair um evento pensado, concebido e produzido por portugueses”.

A última bienal Experimenta Design decorreu em Setembro de 2005 e foi dedicada ao tema “O meio é a matéria”. Com um orçamento de 1,8 milhões de euros, a bienal destinava-se “a colocar Lisboa no roteiro dos grandes eventos de design”.

No ano passado, a organização da bienal ainda chegou a realizar, em Lisboa, reuniões com curadores internacionais para preparar a quinta edição.

In Público 29/01/2007

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